Jair Bolsonaro
Marcos Corrêa/PR
Jair Bolsonaro

O presidente da República, Jair Bolsonaro, disse nesta segunda-feira, em reunião de cerca de uma hora com presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que "nunca jogou a população contra o Congresso". No Palácio do Planalto, segundo aliados do presidente do Senado, Alcolumbre cobrou uma posição de Bolsonaro em relação ao mais recente conflito entre Legislativo e Executivo.

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Ainda segundo aliados, o senador disse a Bolsonaro que ainda não havia se manifestado sobre o assunto porque o ocorrido não deveria "ser debatido pelo Twitter". O silêncio, completou Alcolumbre, lhe causou um desgaste político. O presidente do Senado foi cobrado por colegas de diferentes colorações partidárias a se manifestar sobre o assunto.

Desde que o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), General Augusto Heleno, qualificou parlamentares como "chantagistas", a tensão entre os dois poderes aumentou. A crise culminou com a divulgação da informação de que Bolsonaro havia compartilhado, pelo Whatsapp, uma convocação de protestos que estão marcados para o próximo dia 15. Entre os alvos dos manifestantes estão o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF).

A insatisfação de parte do governo com o Congresso tem a ver com o acordo firmado pelos parlamentares com os ministros Paulo Guedes (Economia) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) para a votação dos vetos ao Orçamento. Um dos trechos vetados estipulava que o Congresso passaria a ter o controle de R$ 30,1 bilhões em emendas de relator, que seriam indicadas pelo deputado Domingos Neto (PSD-CE). No mês passado, Domingos disse que havia acordo para derrubar o veto, mas os parlamentares teriam a garantia de que o governo enviaria ao Congresso um projeto de lei para retomar o controle de R$ 15 bilhões.

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Na reunião, ainda segundo aliados, Alcolumbre perguntou a Bolsonaro se ele não era informado sobre acordos feitos por seus ministros. O presidente, então, teria desconversado. Sobre o caso do Orçamento, Bolsonaro teria dito que deixaria as negociações nas mãos de seus ministros. O presidente do Senado saiu da conversa com a impressão de que o acordo ainda está de pé.

A sessão para análise dos vetos está marcada para amanhã, mas há chance de ser desmarcada. Isso porque, além do desalinho com o governo, Alcolumbre tem um problema doméstico para sustentar a votação. Juntaram-se ao grupo Muda Senado - que reúne parlamentares com discurso de representarem a "nova política" e que lidera um movimento pela manutenção do veto -, senadores tidos como mais moderados, como Simone Tebet (MDB-MS) e Mara Gabrilli (PSDB-SP).

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Além do encontro com Bolsonaro , Alcolumbre se reúne esta noite com Domingos Neto e outros parlamentares. Mais tarde, ele pode se encontrar com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Maia já deixou a Espanha, onde teve compromissos oficiais, e só deve desembarcar em Brasília à noite.

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