Doria e Bolsonaro
Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
Declaração foi dada pelo governador nesta sexta-feira (7).

O governador de São Paulo, João Doria ( PSDB ), disse nesta sexta-feira esperar do presidente Jair Bolsonaro um tratamento "republicano" para com o governo paulista . A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva para anunciar que daqui 45 dias será assinado um novo contrato para retomar a construção da Linha 6 do metrô, parada desde 2016. O governo conta com um empréstimo junto ao BNDES de R$ 1,7 bilhão para a obra.

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"Temos a convicção de que o presidente Jair Bolsonaro agirá de forma republicana. Não pode agir de forma eleitoral, partidária ou ideológica. Isso não se espera de um presidente da República. Ele deve governar para todos", disse Doria.

Bolsonaro tornou explícito na quinta-feira o rompimento político entre ele e o governador paulista motivado por questões eleitorais. Os dois, que já foram aliados, têm planos de disputar a Presidência da República em 2022 em lados opostos.

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Nesta semana a temperatura entre os dois subiu em meio ao debate sobre a cobrança de impostos dos combustíveis. Doria chamou Bolsonaro de populista. O presidente revidou, dizendo, em entrevista ao jornal "O Estado de S.Paulo", que não quer nem ouvir falar no nome do tucano.

Doria negou que o rompimento com Bolsonaro fez piorar sua relação com ministros importantes como Tarcísio Freitas (Infraestrutura) e Paulo Guedes (Economia).

"Temos diversas iniciativas conjuntas com o governo federal nas áreas ferroviária e rodoviária, sem nenhuma interrupção e esperemos que continue assim", afirmou.

O GLOBO mostrou nesta sexta-feira que aliados do tucano já contabilizam episódios de retaliação do governo Bolsonaro a promessas do governador. Na semana passada, Freitas esteve no estado e desautorizou a construção de uma ponte na região do Porto de Santos, prometida por Doria na campanha e levada a Bolsonaro no início de 2019.

O governador anunciou que até o final de fevereiro ele terá reunião com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, para tratar de obras no estado. Parte dos investimentos em mobilidade previstos na gestão Doria depende de recursos do governo federal.

"Não governamos por WhatsApp mas com atitudes, secretários e a presença física, atos e gestos", disse Doria.

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Linha 6 do metrô

Trata-se da maior Parceria Público Privada (PPP) em andamento no país. A obra está parada desde 2016 porque as empresas responsáveis pelo consórcio tiveram problemas na Lava-Jato. Agora uma empresa espanhola, Acciona, assumirá o contrato, segundo o governo. A promessa é que as obras sejam retomadas este ano.

Elas estão orçadas em R$12 bilhões, sendo metade do investimento feito pelo governo estadual.

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