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Em depoimento à Polícia Civil, o funcionário disse que o ex-PM Élcio de Queiroz pediu para ir à casa do presidente no dia morte de Marielle Franco

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Agência Brasil
Há mais de 600 dias ocorreu a morte da ex-vereadora Marielle Franco, sem indícios de quem foi o mandante do crime.

O Ministério Público Federal (MPF) solicitou à Polícia Federal a abertura de um inquérito para investigar o depoimento prestado pelo porteiro do condomínio em que o presidente Jair Bolsonaro morava no Rio de Janeiro antes de se mudar para o Palácio do Planalto. O caso diz respeito à investigação da morte da ex-vereadora Marielle Franco , do PSOL-RJ. A solicitação foi atendida nesta quarta-feira (6).

A Procuradoria Regional da República se manifestou por meio de um ofício enviado por Augusto Aras alegando que só haverá um posicionamento conclusivo sobre o caso após o fim das investigações.

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O motorista Anderson Gomes e a vereadora Marielle Franco foram assassinados em circunstâncias que ainda não foram esclarecidas. O caso aconteceu há mais de 600 dias. 

O procurador-geral da República, Augusto Aras , encaminhou um ofício ao Ministério Público Federal assinado por Sérgio Moro , ministro da Justiça, solicitando a abertura de um inquérito para apurar se houve 'tentativa de envolvimento indevido' do nome de Bolsonaro no caso. 

O presidente Bolsonaro acionou Moro para que a Polícia Federal ouvisse mais uma vez o porteiro. Aras atendeu ao pedido e alegou que não havia elementos suficientes para manter o nome de Bolsonaro atrelado ao caso, que foi arquivado na sequência, segundo informações apuradas pelo Estadão. 

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O depoimento do porteiro do Condomínio Vivendas da Barra foi contestado pelo ministro da Justiça, sugerindo um 'possível equívoco na investigação conduzida no Rio de Janeiro'. 

Na reportagem exibida no Jornal Nacional, da TV Globo, o porteiro informou à Polícia Civil que um homem chamado Élcio entrou no condomínio às 17h10 do dia 14 de março de 2018. Meses depois, Elcio Queiroz seria um dos acusados pelo duplo homicídio. Ele conduzia um Renault Logan prata e afirmou que iria para a casa 58, pertencente a Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro , no entanto, estaria em Brasília no dia da visita, conforme registros da Câmara. O segundo acusado do crime, Ronnie Lessa , era vizinho do presidente . A ex-procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu que o caso fosse conduzido a nível federal. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) vai analisar o pedido até o final de 2019.