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Durante evento para a comunidade judaica, a deputada revelou o convite ao médico Cláudio Lottenberg para compor a chapa na eleição de 2020

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José Cruz/Agência Brasil
Mesmo com futuro incerto no PSL, Joice anunciou vice para disputar prefeitura de São Paulo

Mesmo com o cenário incerto sobre sua eventual candidatura à Prefeitura de São Paulo, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) decidiu quem deve concorrer a vice-prefeito em sua chapa. Durante os agradecimentos pela presença na 50ª Convenção Nacional da Conib (Confederação Israelita do Brasil), realizada no Clube Hebraica de São Paulo no último fim de semana, a deputada anunciou ter convidado o médico Cláudio Lottenberg , presidente do conselho da entidade, para disputar a eleição municipal ao seu lado no ano que vem.

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"Eu poderia nominar cada um de vocês, porque nós temos boas histórias dentro da comunidade judaica, mas eu quero agradecer o Daniel Bialski e o (Cláudio) Lottenberg aqui. Ele (Lottenberg) vai ser meu vice, acabei de convidar", declarou Joice, para a surpresa e aplausos da plateia.

Cláudio Lottenberg, no entanto, disse que ainda não aceitou o convite e que "falta conversar tudo". Segundo o empresário, o convite foi "uma atitude muito simpática, carinhosa, de respeito". Ele afirmou também acreditar que Joice Hasselmann deve ter visto "atributos e qualidades" nele, já que não possui "capital político".

"Eu recebi (o convite) com muito entusiasmo. Eu sempre quis servir ao meu país. Não sei se será desta vez. Quando a gente é lembrado por uma pessoa que tem uma tradição, uma mulher forte, firme, é claro que a gente fica envaidecido. Mas estamos ainda considerando, não tem nada de material", declarou Lottenberg.

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Sem nunca ter ocupado cargo público, Lottenberg é ligado aos setores da saúde e da comunidade judaica . Ele preside a United Health Brasil e é ex-presidente do Hospital Albert Einstein, onde o presidente Jair Bolsonaro foi tratado após sofrer o atentado a faca em setembro de 2018.

Apesar do convite, os rumos da candidatura de Joice ainda são uma incógnita. A deputada anunciou sua pré-candidatura em agosto, durante o evento paulistano da campanha nacional de filiação do PSL. A atitude, no entanto, desagradou a "ala ideológica" do partido, que acusou Joice de "empurrar sua candidatura goela abaixo do PSL", como se referiu Edson Salomão, chefe de gabinete do deputado estadual Douglas Garcia (PSL) e então também interessado em disputar o pleito. O lançamento da deputada foi posteriormente rechaçado por Eduardo Bolsonaro , presidente da legenda em São Paulo.

Joice Hasselmann continuou com os planos mesmo assim. Disse ter apoio do presidente nacional do PSL, Luciano Bivar , para a sua empreitada e afirmou que nenhuma outra pessoa tinha "tanta musculatura" quanto ela para concorrer. De lá para cá, as duas alas internas do partido, uma ligada aos Bolsonaro e a outra aliada de Bivar, racharam completamente, numa disputa pelo controle do poder partidário. O clima interno é tão insustentável que muitas pessoas dentro do PSL apostam numa ruptura total entre os dois grupos até as próximas eleições. A ala ideológica tem planos de fundar um novo partido e deixar o PSL.

Retirada da liderança do governo no Congresso  pelo presidente Bolsonaro, a deputada afirmou que "ganhou sua alforria" das obrigações com o Planalto e que agora teria "mais tempo para cuidar da minha candidatura à prefeitura".

Além de Joice Hasselmann, outros nomes do PSL circulam para disputar a Prefeitura de São Paulo, como o do também deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança e o de Gil Diniz, líder da legenda na Assembleia Legislativa de São Paulo e vice de Eduardo Bolsonaro no diretório estadual do PSL. Diniz, no entanto, foi acusado por um ex-assessor de praticar um esquema de rachadinha em seu gabinete. Já o herdeiro da família real brasileira nunca chegou a manifestar o desejo, mas tem o apoio nos bastidores de outros colegas, como a deputada federal Carla Zambelli .