Sergio Moro
Jorge William / Agência O Globo
Sergio Moro participou de evento realizado pela revista americana The Economist

O ministro da Justiça, Sérgio Moro , minimizou nesta quinta-feira as acusações de que a Operação Lava Jato teria cometido excessos durante seu período como juiz federal. Em conversa com investidores em evento na cidade de São Paulo, Moro afirmou que considera que a operação prendeu e condenou menos do que deveria dado o tamanho do escândalo de corrupção descoberto.

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O ministro foi convidado do "Brazil Summit", evento realizado pela revista The Economist  com a presença de economistas, investidores e advogados.

"Erro, excesso, abuso... Quando me questionam, eu pergunto: qual foi exatamente (o abuso)? Sinceramente, não vejo nenhum. O que tem é um esquema de corrupção sistemático, com altas autoridades políticas envolvidas, ex-presidente da Câmara, ex-presidente da República. Poucos países conseguiriam fazer o que o Brasil fez. E não só em países com a mesma tradição, mas até mais avançados que nós. É muito traumático. Se for pensar no tamanho do escândalo, mais gente deveria ter sido presa e condenada", disse o ministro.

O ministro da Justiça respondeu a pergunta após ser questionado sobre o vazamento de diálogos entre ele e procuradores da força-tarefa da Lava Jato, como Deltan Dallagnol.

Moro chamou o vazamento de criminoso e os meios de imprensa que divulgaram os diálogos de sensacionalistas mas, por outro lado, minimizou seu conteúdo. Segundo o ministro, com exceção de militantes mais radicais que colocam em dúvida uma condenação entre várias, referência ao ex-presidente Lula , não existe um grande questionamento popular sobre as condenações e prisões da operação. Segundo o ministro, as conversas entre as partes do processo é normal.

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"Advogados chegavam para mim, pedindo para refogar uma prisão e eu respondia falando que ele precisava me apresentar algumas coisas. Isso não é aconselhar, não tem nada de errado", disse.

Apesar do discurso anticorrupção, o ministro desconversou sobre denúncias feitas em relação ao filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), e do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, também do PSL.

O ministro preferiu comentar sobre a queda de 22% dos homicídios desde o início do ano. Moro admitiu que tanto o aumento quando a queda da violência tem causas complexas, mas que acredita que um dos fatores que contribuu para a diminuição dos assassinatos no país foram ações tomadas pelo governo federal.

O ex-juiz citou o recorde de apreensão de drogas, ações da Polícia Federal e o deslocamento da Força Nacional para alguns estados como medidas que ajudaram a taxa cair. De acordo com Moro, após o deslocamento de agentes federais em razão das rebeliões nos presídios do Pará, a região metropolitana de Belém testemunhou uma queda de 66% nos assassinatos.

O juiz, no entanto, descartou a responsabilidade do governo federal no aumento da letalidade policial no ano. Para Moro, o aumento das mortes causadas por policiais em situações de conflito é um reflexo da atuação de algumas polícias estaduais.

"É algo que acontece nos Estados. O Ministério sempre deixou muito claro que não temos como estratégia de combate ao crime o confronto. Não é responsabilidade do governo federal", afirmou Moro.

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'Não vou ser candidato', diz Moro

O juiz tratou com bom humor o questionamento sobre suas ambições políticas após deixar o cargo de juiz federal. Moro negou veementemente que planeje ser candidato a presidente da República em 2022, para a sucessão do presidente Jair Bolsonaro. "Não serei candidato. Vou morrer e colocar no túmulo: 'não foi candidato'", brincou.

Moro afirmou que decidiu deixar a Justiça Federal porque enxergou a oportunidade de continuar a batalha contra a corrupção em um posto mais alto, mas que se considera um ministro técnico e não político. Moro afirmou que se considera um "peixe fora da água" na política.

O ministro também comentou sobre o julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre a execução da pena após condenação em segunda instância. Moro afirmou que continua acreditando que a possibilidade da prisão após duas condenações é essencial, mas que é necessário respeitar qualquer decisão do Supremo.

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"Particularmente acho fundamental, esse julgamento está em andamento e espero que o Supremo tome a melhor decisão", disse.

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