Michel Temer (MDB)
Aloisio Mauricio/Fotoarena/Agência O Globo - 9.5.19
Michel Temer (MDB) se entrega à PF em São Paulo

Duas semanas antes do afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, e seu vice Michel Temer (MDB) assumir o Planalto, a operação Lava Jato rejeitou a delação premiada que deu suporte à prisão do ex-presidente em março de 2019. É o que mostra mais uma série de diálogos vazados, obtidos pelo site The Intercept Brasil e divulgados pelo El País nesta sexta-feira (18). 

Leia também: FHC chama Bolsonaro de “tosco”, diz que nunca o viu na vida e que “nem deseja”

A delação foi feita pelo empresário José Antunes Sobrinho, sócio da construtora Engevix, que relatou um pagamento de propina de R$ 1 milhão a Temer . A proposta foi encaminhada aos procuradores  da Lava Jato em 4 de abril de 2016. A força-tarefa, no entanto, considerou que as declarações não atendiam ao "interesse público" e recusaram o acordo de delação. 

Nesse mesmo dia, o então advogado-geral da União José Eduardo Cardozo fazia a defesa de Dilma durante a Comissão do Impeachment na Câmara. Em Agosto de 2016, o Senado confirmava o impeachment da petista.

Em 21 de junho de 2017, quando Temer já estava no poder, o procurador Athayde Ribeiro chegou a dizer, durante uma conversa de Telegram, que a delação rejeitada era um "anexo-bomba". 

Após a divulgação do áudio entre Joesley Batista e Temer, em 2018, a delação de Antunes foi homologada. O empresário assinou o acordo diretamente com a Polícia Federal, e não com os procuradores, quando faltavam apenas 6 meses para Temer deixar o poder. 

No fim de fevereiro deste ano, Antunes prestou um novo depoimento a procuradores do Rio de Janeiro e repetiu as declarações de 2016. Um mês depois, com base no relato, Temer foi preso preventivamente. 

Em entrevista ao El País , o então procurador-geral Rodrigo Janot, responsável por rejeitar a delação em 2016, defendeu a decisão. “Você acha que o Supremo ia me autorizar a investigar o vice-presidente da República com algo que não era consistente?”, afirmou.  "Não era acordo relevante para a gente. Tanto foi que quando teve algo concreto, [Temer] caiu. Caiu não, mas foi processado duas vezes”. 

Procurada pelo jornal, a força-tarefa da Lava Jato afirmou que "houve consenso entre mais de 20 procuradores" sobre a delação envolvendo Temer não despertar o "interesse público" em 2016. Eles não responderam sobre a razão da mesma delação ter sido usada para prender Temer em 2019.

Leia também: O outro lado de Bivar: conheça o romance erótico do presidente do PSL

“Relatos de colaboradores avaliados como inconsistentes, incompletos ou desprovidos de provas podem ser recusados”, afirmou o Ministério Público do Paraná, em nota ao El País . "As forças-tarefas participam das negociações e opinam, mas a palavra final é do procurador-geral.”

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários