Vice-presidente Hamilton Mourão com o presidente Bolsonaro
Renato Costa / FramePhoto / Agência O Globo - 22.8.19
Mourão disse que Bolsonaro quer evitar respingos com problemas de transparência no PSL

O vice-presidente, Hamilton Mourão , minimizou nesta sexta-feira (11) os recentes conflitos entre o presidente Jair Bolsonaro e o líder nacional do PSL , Luciano Bivar . Em viagem a Roma para participar da cerimônia de canonização de irmã Dulce no domingo, Mourão disse que as divergências entre os dois "é uma questão político-partidária". Segundo o vice, o presidente quer mais transparência no emprego da verba do fundo partidário do PSL para não "respingar na imagem dele".

Mourão explicou que "o PSL não era nada ano passado e se tornou tudo a partir do momento em que o presidente Bolsonaro foi candidato, foi vencedor". E lembrou que alguns dos eleitos pela legenda foram "extraordinários puxadores de voto", como Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente e o deputado mais votado do país.

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"Então esse grupo chegou, e havia um grupo mais antigo no partido, e obviamente hoje o partido tem um fundo partidário grande. O que o presidente está pressionando é para que haja transparência, compliance, no emprego desses recursos, porque ele sabe que qualquer emprego não correto irá respingar na imagem dele. Esta é a disputa ali dentro", afirmou.

O controle do fundo partidário está no centro da briga entre Bolsonaro e Bivar. Como segunda maior bancada da Câmara, o PSL vai receber no total este ano R$ 110 milhões do fundo. Em 2020, devido às eleições municipais, a verba pública para o partido de Bolsonaro poderá atingir R$ 500 milhões, se o Congresso conseguir aumentar a dotação do funco eleitoral como se planeja.

Nesta sexta-feira, Bolsonaro disse que vai pedir uma auditoria nas contas do PSL, por meio de um grupo de deputados, para avaliar como os recursos públicos recebidos pelo fundo partidário foram utilizados.

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Em entrevista ao jornal o Globo, Bivar disse que acha "que o presidente não deve estar sendo bem aconselhado". E que essas essas pessoas estariam "vendendo ele como se fosse propriedade deles para forçar uma participação de domínio no partido e fazerem coisas que não são éticas".

Em Roma, o vice-presidente disse ainda que acredita que a relação de Bolsonaro com a imprensa deve melhorar e começar a ter "menos rusgas". Segundo Mourão, "entre setembro do ano passado e setembro deste ano, ele viveu entre a vida e a morte. Ele sofreu um atentado grave, ele teve várias cirurgias, onde ele poderia ter ido a óbito, todas tiveram algum tipo de complicação".

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— Então vejo que a partir de agora, quando ele passa a recuperar o domínio pleno das suas funções como ser humano, as coisas vão começar a melhorar, e a nossa relação como um todo com a imprensa vai tender a ser mais diplomáticas e menos de rusgas pra lá e pra cá.

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