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Mônica da Costa Souza tinha passagem aérea para viajar ao exterior na data em que a operação Armadeira, braço da Lava Jato, foi deflagrada

Agentes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) cumpriram 14 mandados de prisão contra auditores e analistas da Receita Federal arrow-options
Pablo Jacob / Agência O Globo
Agentes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) cumpriram 14 mandados de prisão contra auditores e analistas da Receita Federal

A força-tarefa da Lava Jato no Rio incluiu o nome de Mônica da Costa Monteiro Souza na lista de difusão vermelha da Interpol. Foragida há sete dias desde a deflagração da operação Armadeira, ela é casada com o analista tributário da Receita Federal , Marcial Pereira de Souza, apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como o responsável pela cobrança de propina de empresários investigados, em troca do cancelamento de multas milionárias aplicadas pela por sonegação fiscal.

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A autorização do nome de Mônica na lista de foragidos da Justiça brasileira foi dada nesta terça-feira (8) pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio a pedido do MPF, que tem indícios de que ela esteja fora do país. O jornal O Globo apurou que a mulher de Souza comprou uma passagem aérea marcada para o mesmo dia da operação. Ela estaria em Portugal, onde mora um filho do casal.

Bretas também prorrogou a prisão temporária de João Batista da Silva por mais cinco dias. Ele não foi encontrado pelos agentes da Polícia Federal no dia da operação e só se apresentou à Justiça dois dias depois. A força-tarefa desconfia que ele pode ter destruído documentos que serviriam como provas da atuação da organização criminosa. Batista é investigado por ter papel preponderante na lavagem de dinheiro para o tio, Marco Aurélio Canal, líder da quadrilha dentro da Receita.

Canal era supervisor nacional da Equipe Especial de Programação da Lava Jato, criada pela Receita para restituir aos cofres públicos os valores sonegados pelos acusados.

E-mails como prova

Nesta terça-feira, reportagem do jornal O Globo mostrou que a força-tarefa encontrou provas de que Marcial utilizava um endereço de e-mail chamado "projetoalfredo@gmail" para
cobrar propina de empresários alvos da Lava Jato.

Com a colaboração do Google e de uma operadora telefônica, a partir da quebra de sigilo telemático autorizada pela Justiça, foi possível confirmar que uma das mensagens de achaque contra o delator do esquema partiu de um celular conectado a um modem em nome de Marcial.

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Usada como prova cabal pelo Ministério Público Federal ( MPF ) para a prisão do analista da Receita, uma das mensagens enviada ao contador Rildo Alves da Silva, indicado pelo delator Ricardo Siqueira Rodrigues para acertar os pagamentos de propina, revela a pressão de Marcial para receber os valores acertados. Nela, Marcial afirma que a fiscalização de Ricardo estaria "sob controle".