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Presidente não quis comentar denúncia do MPF do Pará sobre intervenção federal no sistema penitenciário e ainda fez "oração" para a imprensa

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José Cruz/Agência Brasil
Bolsonaro chamou denúncia de tortura de 'besteira' e disse que imprensa é "fétida"

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) chamou de "besteira" a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) de um quadro de tortura na intervenção federal no sistema penitenciário do
Pará, conforme reportagem do jornal  O Globo  mostrou nesta terça-feira (8), e encerrou uma entrevista após ser questionado sobre o assunto. O coordenador da força-tarefa que atua nos presídios do Pará, Maycon Cesar Rottava, foi afastado pela Justiça Federal, atendendo a um pedido do MPF.

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"Bora", disse Bolsonaro , na saída do Palácio da Alvorada, deixando a entrevista, depois de ser perguntado sobre a denúncia. Enquanto saía, o presidente se virou para apoiadores que estavam lá e criticou a pergunta: "Só perguntam besteira, só besteira o tempo todo", afirmou. O presidente, então, subiu no seu carro e fez uma "oração" pela imprensa, classificada por ele como "fétida":

"Deixa eu orar aqui agora. Não sou pastor, não. Meu Deus, salve, lave a cabeça dessa imprensa fétida que nós temos. Lave a cabeça deles, que bote coisas boas dentro da cabeça, que possam perguntar, me ajudar a publicar matéria para salvar o nosso Brasil. Eles não viam problemas em governos anteriores. Vamos ajudar o Brasil. Vocês são importantíssimos para salvar o Brasil. Parem de perguntar besteira.

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Em uma ação de improbidade administrativa assinada por 17 dos 28 procuradores da República que atuam no Pará, o MPF aponta práticas que vão do empalamento à perfuração dos pés dos presos por pregos em presídios do estado que passaram a ser controlados por uma força-tarefa autorizada pelo ministro da Justiça, Sergio Moro .

O sistema penitenciário do Pará está sob intervenção federal desde 30 de julho, quando o ministério, em atendimento a um pedido do governador Helder Barbalho (MDB), autorizou a
força-tarefa composta por agentes federais e estaduais. A pasta defende a atuação dos agentes e diz que os casos de tortura carecem de comprovação.

Em 30 de julho, um massacre num presídio em Altamira (PA) terminou com a morte de 62 presos. Barbalho, então, pediu ajuda a Moro. No mesmo dia, ele autorizou o envio da Força-
Tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP) para intervir em 13 unidades do estado. A função do grupo, cuja atuação foi prorrogada por Moro até o fim deste mês, é “coordenar ações das atividades dos serviços de guarda, de vigilância e de custódia de presos”.

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O ministério não divulga quantos são os agentes federais envolvidos. O coordenador foi nomeado pelo diretor-geral do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Fabiano
Bordignon. O Depen é vinculado ao MJ.