Tamanho do texto

Após atender a um grupo de estudantes que o esperava, presidente se negou a falar com jornalistas que, segundo ele, "deturpam" as declarações dadas

bolsonaro arrow-options
José Cruz/Agência Brasil - 26.9.19
Bolsonaro pede que estudantes indiquem livro de torturador para professora "esquerdista"

Em conversa com estudantes na manhã desta segunda-feira (30), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) recomendou que uma professora lesse um livro escrito pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra . Morto em 2015, o militar foi condenado em segunda instância por tortura na ditadura militar. Ustra comandou o DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações) em São Paulo, no auge da repressão militar.

Leia também: "Ele me dava choque nas orelhas", diz vereador torturado por herói de Bolsonaro

Um aluno disse que o grupo que estava na porta do Palácio da Alvorada tinha uma professora e pediu que Bolsonaro mandasse um abraço para ela, sem dar mais detalhes. O presidente então questionou se a docente era de esquerda e ouviu dos estudantes que sim, era petista.

"Fala pra ela ler o livro 'A verdade sufocada' aí. Só ler. Depois ela tira as conclusões. Lá são fatos, não é blá blá blá de esquerdista não", comentou o presidente a estudantes.

Leia também: Governo Bolsonaro cria grupo técnico para desenvolvimento do setor nuclear

Ele ainda conversou com o grupo de apoiadores durante cerca de seis minutos. Pouco antes de entrar no carro, dirigiu-se aos jornalistas que estavam no local para comunicar que não concederia entrevista, como vinha fazendo nos últimos meses, porque o que ele fala seria "deturpado".

"Imprensa, gosto muito de vocês, mas tudo é deturpado. Quando vocês fizerem uma matéria real do que aconteceu lá na ONU, eu dou entrevista para vocês, tá ok? Um abraço aí", afirmou Bolsonaro .