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Líder do governo Bolsonaro no Senado se defendeu da acusação de ter recebido propina e afirmou que não existem "elementos comprobatórios"

Fernando Bezerra Coelho arrow-options
Waldemir Barreto/Agência Senado - 17.9.19
"Fui vítima de operação política para atingir o governo", diz Fernando Bezerra Coelho

O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do governo de Jair Bolsonaro (PSL) no Senado, discursou na sessão do Congresso Nacional na tarde desta terça-feira (24), e se defendeu das acusações contra ele que levaram ao cumprimento de mandados de busca e apreensão na semana passada .

Bezerra Coelho é acusado de receber propina de empreiteiras quando era ministro da Integração Nacional, ainda no governo Dilma Rousseff. A Polícia Federal (PF) diz que o senador recebeu R$ 5,5 milhões em propina desviada de obras públicas.

"Fui vítima de uma operação política, articulada para atingir o Congresso Nacional e o governo do presidente Jair Bolsonaro, do qual tenho a honra de ser líder no Senado Federal", disse o senador, lembrando que colocou o cargo à disposição do presidente .

"Pela ausência de elementos comprobatórios, terá o mesmo destino de outras acusações que enfrentei: o arquivamento. Inclusive com força de decisão do Supremo Tribunal Federal. Que fique claro, senhores parlamentares, não temo as investigações. Digo com veemência que jamais excedi os limites impostos pela lei e pela ética", afirmou.

Durante seu discurso, Bezerra foi cercado por parlamentares que se posicionaram em solidariedade a ele. Ao fim, ele foi aplaudido. O senador disse que a presença da Polícia
Federal no gabinete da liderança do governo é uma "afronta" e um "atentado" contra a independência dos poderes.

Questionado por jornalistas, Bezerra disse que o presidente ainda não definiu se o senador permanecerá no cargo de líder do governo . "Ele pediu para aguardar até o retorno dele.
Vou aguardar o presidente, quando ele voltar, ele deverá tomar a iniciativa", salientou.

Mais cedo nesta terça-feira, senadores encontraram o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, apresentaram um  recurso pedindo a suspensão da decisão  que permitiu uma operação de busca e apreensão.

A sessão do Congresso irá votar os vetos impostos pelo presidente Jair Bolsonaro à Lei de Abuso de Autoridade. Parlamentares ouvidos pelo GLOBO estimam que grande parte dos
vetos será derrubado. A ideia é mandar um recado para o governo após a operação contra Fernando Bezerra Coelho, além de pressionar pela liberação de verbas e limpar a pauta para
eventuais vetos sobre a reforma partidária e eleitoral.