Davi Alcolumbre se irritou com líderes dos partidos no Senado
Marcos Oliveira/Agência Senado
Davi Alcolumbre se irritou com líderes dos partidos no Senado


Contrariado com a pressão de um grupo de senadores que tem usado os microfones da Casa para tentar impor sua pauta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), decidiu suspender as reuniões de líderes que definem quais projetos serão votados semanalmente. Agora, ele próprio vai bater o martelo sobre o que colocará na pauta do plenário, independentemente de acordos com os colegas.

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Como pano de fundo da medida, considerada drástica por parte dos parlamentares, mas apoiada por caciques da Casa, está o descumprimento de acordos feitos nesses encontros.

Alcolumbre já comunicou aos líderes que não haverá reunião esta semana. A aliados, ele disse que não será uma exceção e que, por ora, pretende manter os encontros suspensos. Num desabafo, o presidente disse que não aguenta mais ser constrangido com reclamações em plenário sobre votações de projetos que haviam sido acordados em reuniões de líderes.

— Do que adianta combinar uma coisa na reunião e não cumprirem no Senado ? — reclamou Alcolumbre a aliados.

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O ápice da contrariedade de Alcolumbre foi a votação do projeto que altera regras eleitorais nas duas últimas semanas. Depois de recuar da intenção de apreciá-lo na semana retrasada, Alcolumbre liderou acordo, que incluiu a retirada de trechos polêmicos da proposta, para que ela fosse votada na semana passada. O aparente consenso foi construído em uma reunião de líderes. No plenário, no entanto, senadores que foram eleitos com a bandeira da moralidade voltaram a pregar a retirada ou derrubada do projeto da pauta.

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— Por não confiar na Câmara, eu aplaudo o trabalho da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a postura do relator desta matéria, mas não confio. E, como eu não confio, eu vou votar pela rejeição. Eu vou votar contra. Ponto-final — bradou Jorge Kajuru (Cidadania-GO), na última terça-feira.

O senador por Goiás não foi o único. Outros colegas foram à tribuna repetir que o projeto era um "absurdo". Alcolumbre se irritou:

— Nós estivemos hoje, na reunião do colégio de líderes, e 30, 40 senadores se manifestaram. Os líderes e os liderados tiveram a oportunidade de se manifestar em relação a essa matéria, e havia uma divergência que foi sanada. Eu reafirmo: havia uma divergência em relação a essa matéria que foi sanada — disse o presidente do Senado. — Não é possível 40 senadores, líderes e liderados, numa reunião no gabinete da Presidência, e a gente ficar discutindo aqui no plenário que agora vamos votar contrário ou favorável à matéria, depois de ser acordado, única e exclusivamente, o recurso do fundo eleitoral e partidário para a disputa das eleições municipais.

'Turma do Twitter'

Não foi a primeira vez que "a turma do Twitter", como senadores que usam as redes sociais para se guiar no plenário são chamados ironicamente pelos colegas, aborreceu Alcolumbre. No primeiro semestre, o grupo que reúne senadores mais experientes, como Alvaro Dias (Podemos-PR), e novatos, como Eduardo Girão (Podemos-CE), também usou como estratégia pressionar Alcolumbre publicamente por pautas fora de acordos. É o caso da CPI dos Tribunais Superiores, apoiada pelo grupo, mas sem a benção da maioria dos senadores.

No primeiro semestre, Alcolumbre já tinha pedido a líderes partidários que conversassem com seus "liderados" e pedisse para que respeitassem os acordos da Casa.

No dia seguinte à votação da reforma eleitoral, Alcolumbre passou por um novo constrangimento. Na noite da última quarta-feira, o Senado rejeitou a recondução de Lucas Machado Nogueira e Demerval Filho ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Ambos agiram em prol do colega Deltan Dallagnol no conselho.

O mesmo grupo pressionou para que Alcolumbre interrompesse as votações antes de a derrota ser consumada. Para justificar, alegaram que o presidente já havia feito algo semelhante em outra votação para o CNMP.

A decisão de suspender as reuniões é retrato de um estremecimento entre Alcolumbre e parte significativa dos senadores que o elegeram presidente da Casa, sob o argumento de derrotar Renan Calheiros (MDB-AL). À época, a alegação era tirar a "velha política" do Senado, colocando um jovem no comando da Casa. Agora, o grupo já o acusa nos microfones da Casa de ter cedido aos caciques do Senado.

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