Witzel e Bolsonaro
Marcos Corrêa/PR
Aviso de que o PSL não apoiaria mais o governo de Wilson Witzel entrou para a lista de encrencas envolvendo a sigla nos estados

O aviso de Flávio Bolsonaro na semana passada de que o PSL não apoiaria mais o governo de Wilson Witzel (PSC) entrou para a lista de encrencas envolvendo a sigla nos estados. Além do Rio de Janeiro, o partido de Jair Bolsonaro coleciona tensões, disputas e falta de coesão em outras Assembleias Legislativas pelo País.

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Há casos de deputados do PSL se recusando a votar com o próprio governo, reclamações sobre postagens no Facebook e até relatos de ameaças e disputas por diretórios.

Em Santa Catarina, a deputada Ana Campagnolo e o governador Carlos Moisés nem sempre falam a mesma língua. No mês passado, Campagnolo votou a favor de suspender os decretos governamentais que extinguiam incentivos fiscais a agrotóxicos no estado. Ela vem de uma família de agricultores.

"Tendo que escolher a posição que defende o nosso presidente da República e a postura do nosso governador, eu escolhi ficar ao lado de Jair Bolsonaro", declarou a deputada em vídeo gravado para o seu canal no Youtube.

Ela afirmou que, "como membro do partido do governo do estado", deveria se posicionar a seu favor. Mas mudou de ideia ao saber que o deputado Fabiano da Luz (PT) votaria a favor do projeto de Moisés. O governador já foi atacado nas redes sociais pelo próprio eleitorado, sendo associado a "pautas esquerdistas" — tratamento que ele se queixa de não ser replicado a outros membros do governo que, segundo diz, agem da mesma forma que ele.

Um outro caso curioso também foi presenciado na Assembleia catarinense. O deputado Sargento Lima chegou a subir à tribuna para condenar uma postagem no Facebook feita por um assessor de seu correligionário, Jessé Lopes. O funcionário havia publicado que seu chefe era a "única voz sincera e sem compromisso de poder com a ilicitude" entre todos os parlamentares da assembleia. O comentário tirou Sargento Lima do sério.

Minas Gerais vivencia uma situação menos pública. Interlocutores se queixam da influência ainda exercida pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que deixou a presidência da sigla no estado. Após ter denunciado o esquema de candidaturas laranja em Minas, a deputada federal Alê Silva relatou ter sofrido ameaças do ministro.

O grupo de Álvaro Antônio permanece no poder no estado, segundo fontes que não quiseram ser identificadas. A reclamação se dá acerca da deposição de aliados da deputada do comando de diversos diretórios municipais. Alê Silva já declarou que "está só esperando" ser expulsa da legenda, o que ainda não aconteceu.

Já na Bahia, o desentendimento fica entre a deputada estadual Talita Oliveira e a deputada federal Dayane Pimentel. Talita reclama da falta de diálogo de Dayane com a base. Junto do candidato derrotado ao Senado Comandante Rangel, a parlamentar do estado também critica a adesão do PSL baiano ao governo de ACM Neto (DEM), do qual faz parte o marido de Dayane Pimentel.

Apesar de ter a maior bancada entre os estados, com 15 deputados, o PSL de São Paulo vive em relativa harmonia, dentro dos limites de discordância comuns em outras legendas. A coesão da bancada poderia ser maior, entretanto, não fosse a atuação quase independente de Janaina Paschoal.

Eleita com mais de dois milhões de votos, a maior votação da história, Paschoal ajudou a eleger muitos dos colegas do PSL em razão do coeficiente eleitoral — situação que causa uma espécie de "ciúme" para a bancada. Alguns acreditam que o eleitorado tão expressivo lhe deu moral para que cumpra a própria agenda, alheia aos acordos da legenda.

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Em relação ao governo estadual, integrantes da bancada dizem que "inexiste relação de confiança" com João Doria (PSDB). O partido até agora, entretanto, tem atuado quase como base aliada, votando favoravelmente às pautas dos tucanos em muitas matérias.

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