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Polícia Federal, subordinada à pasta comandada pelo ex-juiz, realizou busca e apreensão no gabinete do senador Fernando Bezerra Coelho

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Marcos Corrêa/PR - 29.8.19
Bolsonaro cobrou de Moro motivos da operação da PF contra líder do governo

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) cobrou do Ministro da Justiça, Sergio Moro , informações sobre o motivo da operação da Polícia Federal , nesta quinta-feira (19), que fez busca e
apreensão no gabinete do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). Algumas horas após a ação da PF, o ministro foi ao Palácio da Alvorada para reunião com o
presidente . O encontro não estava previsto na agenda de nenhum dos dois. Pessoas próximas do ministro afirmam, no entanto, que a conversa com Bolsonaro foi tranquila.

A operação elevou a desconfiança entre o Palácio do Planalto e a PF , como informou a colunista Bela Megale . A ação contra o líder do governo — autorizada pelo ministro do STF
Luis Roberto Barroso — foi recebida por aliados do presidente como uma reação da Polícia Federal às recentes investidas de Bolsonaro sobre o órgão.

Em ligação ao ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, Bezerra colocou seu cargo à disposição do presidente . Lorenzoni afirmou que a posição do Palácio do Planalto é aguardar os
desdobramentos da operação da PF, mas apontou que Bezerra terá que explicar à Justiça sua "vida pregressa", de quando foi ministro do governo Dilma Rousseff (PT).

A PF apontou que o senador recebeu R$ 5,5 milhões em propina desviada de obras públicas . Seu filho, o deputado federal Fernando Coelho Filho (DEM-PE), teria recebido R$ 1,7
milhão do mesmo esquema durante o governo Dilma Rousseff (PT), quando era ministro da Integração Nacional. Investigadores que atuam no caso apontam que há indícios de que o
senador utilizou um esquema ilegal de repasses de dinheiro mesmo depois de começar as ser investigado pela Operação Lava-Jato.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou que a Casa vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal ( STF ) questionando a operação contra Bezerra.

Alcolumbre argumentou que a operação se refere há fatos que ocorreram entre 2012 e 2014, quando Bezerra não era senador. Como não tem conexão com o mandato, o presidente do
Senado considera que o caso deveria estar em curso em outra instância, não no Supremo. Ele citou também o fato de a Procuradoria-Geral da República ter se posicionado contra a
busca e apreensão.