Tamanho do texto

Base do governo usou instrumentos regimentais para impedir o colegiado de funcionar; alguns governistas não registraram presença para não dar quorum

Deputada Caroline de Toni mostra cartaz em protesto contra CPI das Fake News arrow-options
Edilson Rodrigues/Agência Senado - 17.09.2019
Durante sessão sobre CPI das Fake News, a deputada Caroline de Toni (PSL-SC) mostrou cartaz à bancada

Depois de quase duas horas de embate entre oposição e governistas, a sessão d a CPI das Fake News terminou, nesta terça-feira (17), sem a votação de nenhum item de sua pauta. Numa repetição do clima das reuniões anteriores, a base do presidente Jair Bolsonaro, liderada por parlamentares do PSL , obstruiu o trabalho da comissão.

A pauta da reunião incluía a votação do plano de trabalho da relatora, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), e de um requerimento para audiência pública com especialistas no assunto. Desde o início do encontro para discutir sobre a CPI das Fake News , no entanto, a base do governo usou instrumentos regimentais para impedir que o colegiado funcionasse.

Leia também: Além de Flávio, PSL inclui Eduardo Bolsonaro na CPI das Fake News

Pediram a leitura da ata da reunião anterior — a dispensa é praxe no Congresso; nem todos os governistas registraram presença na tentativa de não dar quorum para o encontro; exigiram contraditar todos os oposicionistas que usavam o microfone; entre outros.

"Nós queremos, sim, a verdade. Só que a gente se preocupa com quando o julgador, quando quem está acusando é o mesmo julgador. Está um circo armado para se montar um tribunal de exceção aqui para ser contra o nosso presidente", alegou a deputada Caroline de Toni (PSL-SC), em uma das vezes que a oposição acusou o PSL de não querer as investigações.

Entre outros motivos, a CPI foi criada para apurar denúncias de impulsionamento de mensagens mentirosas na eleição de 2018. Isso tem causado incômodo aos aliados de Jair Bolsonaro. Para eles, a oposição quer usar o colegiado para atingir o presidente.

Leia também: Morte de empresária sofre reviravolta e passa a ser investigada como feminicídio

Em uma das vezes que teve pedidos negados, Caroline colocou um nariz de palhaço e ergueu duas placas ("CPI da censura" e "Respeite o regimento") para protestar. Os parlamentares do PSL dizem que o presidente do colegiado, Ângelo Coronel (PSD-BA), tem desrespeitado o regimento ao negar seus pedidos.

"Está evidente que só tem um objetivo essa falação toda, que é evitar que a gente faça o mínimo aqui de discussão sobre o objeto da CPI. Eu não sei o que assusta tanto os deputados do PSL e o próprio governo em avançar nessa discussão. Será que existe algum temor de que haja alguém do Governo envolvido em algum processo de fake news? Será que é essa a preocupação?", disse o deputado Carlos Zarattini (PT-SP).

O centrão também entrou na discussão contra o PSL. O deputado Ricardo Barros (PP-PR) cobrou que os colegas do partido de Bolsonaro parem de obstruir os trabalhos.

"É a mesma coisa de pegar o PSL para julgar o (Fernando) Haddad. Vai ser justo? Vai ser isento?", questionou Caroline.

Leia também: Vendedor de balas fica preso por três semanas mesmo após laudos o inocentarem

Sem quorum para votação, Coronel encerrou os trabalhos.

Preocupado, o governo montou uma tropa de choque na comissão. O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) já vinha acompanhando os trabalhos da CPI das Fake News. Nesta terça-feira, ele não participou.