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Vereador do PSC pediu nova licença da Câmara do Rio de Janeiro, sem remuneração, para ficar junto com seu pai, recém operado; entenda

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Marcio Alves
Carlos Bolsonaro

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC) pediu nesta terça-feira (10), nova licença da Câmara de Vereadores do Rio. Protagonista de polêmicas e embates com aliados do governo nas redes sociais, Carlos só apresentou um projeto neste ano e atrai críticas de colegas da Casa. 

Uma postagem feita na segunda-feira à noite no Twitter com questionamento à democracia despertou reações negativas até mesmo no governo. "Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos", tuitou Carlos Bolsonaro.

Após repercussão negativa da declaração, voltou ontem às redes sociais para tentar se defender. "Por vias democráticas as coisas não mudam rapidamente", se justificou. Em seguida, passou a atacar veículos de comunicação . "O que jornalistas espalham: Carlos Bolsonaro defende a ditadura. Canalhas!", tuitou.

A postura não surpreende seus colegas na Câmara . Carlos é conhecido por dividir a sua atenção entre as sessões e o seu smartphone. Os registros no site da Câmara atestam isso. Neste ano, o vereador apresentou apenas um projeto de lei, em documento assinado com outros cinco colegas. A maioria das 23 indicações legislativas foi para podas de árvore.

Para os vereadores, Carlos coloca as discussões que envolvem o governo federal à frente das suas atribuições na Casa e interage pouco com os colegas. "Ele sempre se incomodou muito com a resistência ao governo do pai dele", analisou o vereador Alexandre Isquierdo (DEM).

O vereador Reimont (PT) endossou as críticas às últimas postagens nas redes sociais. "O governo bolsonarista tem rompido com o pacto democrático. A declaração de Carlos soou como uma apologia à ditadura", argumentou.

Segundo o artigo 11 do regimento interno da Câmara Municipal, Carlos Bolsonaro só será substituído pelo suplente se ficar de licença por mais de 120 dias.

O posicionamento de Carlos Bolsonaro repercutiu negativamente até dentro do governo. Antigo alvo dos ataques de Carlos, o presidente em exercício Hamilton Mourão reforçou a importância da democracia. "Fundamental. São pilares da civilização ocidental. Vou repetir para vocês. Pacto de gerações, democracia, capitalismo e sociedade civil forte. Sem isso, a civilização ocidental não existe".

O deputado federal Rodrigo Maia, presidente da Câmara, também criticou a postura do vereador. "Uma declaração que não cabe num país democrático. Frases como essa devem colaborar com a insegurança de empresários. Vai contra a democracia liberal e gera danos na confiança do país". Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado, elevou o tom das críticas. "Trabalhamos a favor do Brasil. Então, uma manifestação ou outra em relação a este enfraquecimento tem o meu desprezo".

Houve críticas até entre os integrantes do partido do vereador. "Para o PSC, a democracia é o único regime que conduzirá o nosso país ao desenvolvimento. Liberdade econômica combinada com o respeito aos direitos individuais e coletivos, além do respeito aos valores cristãos é o caminho defendido pelo PSC", postou o Pastor Everaldo, presidente do partido.

Wilson Witzel, governador do Rio, reforçou a defesa à democracia. "É uma declaração infeliz, que deve ser reconsiderada", disse.

O advogado Felipe Santa Cruz, presidente da OAB, lamentou o posicionamento. "Não há como aceitar uma família de ditadores. É hora dos democratas do Brasil darem um basta. Chega", disse à Folha de S. Paulo .

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Em nota, o PSDB afirmou que "figuras autoritárias insistem em transformações que não sejam pelas vias democráticas".