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"Não é o momento de rasgar dinheiro", disse o governador do Maranhão, Flávio Dino; G7 ofereceu US$ 20 milhões para ajudar com queimadas

Bombeiros apagando queimadas na Amazônia arrow-options
Fotos Públicas
Planalto confirmou recusa da ajuda oferecida pelo G7; mais tarde, Bolsonaro impôs condição

Durante reunião com o presidente Jair Bolsonaro, os governadores que compõem a Amazônia Legal defenderam a ajuda ofertada por outros países para combater os incêndios e preservar a floresta brasileira, incluindo os US$20 milhões oferecidos pelo G7.

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"Nós enfatizamos muito fortemente a necessidade a cooperação internacional, com defesa da soberania nacional claro. Porém, achamos que não é o momento de rasgar dinheiro. Sobretudo no que se refere ao Fundo Amazônia . Nós defendemos que seja retomado", afirmou o governador do Maranhão, Flávio Dino.

O aporte de US$20 milhões foi anunciado ontem (26), no último dia da cúpula do G7 , em Biarritz, pelo anfitrião do evento, o presidente Emmanuel Macron, com quem Bolsonaro tem trocado farpas publicamente. No entanto, o governo brasileiro rejeitou a ajuda.

Posteriormente, Bolsonaro sinalizou que só aceitaria o apoio financeiro se o líder francês pedisse desculpas a ele após chama-lo de mentiroso e sugerir um debate sobre a "internacionalização da Amazônia".

"Estamos perdendo muito tempo com o Macron. Eu acho que temos que cuidar do nosso país, tocar a vida. Estamos dando muita importância a esse tipo de comentário, não desprezando a importância econômica que a França pode ter", ressaltou o governador do Pará, Helder Barbalho durante o encontro.

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Barbalho ainda reafirmou a necessidade do Brasil conseguir parcerias internacionais que tenham a preservação da Amazônia como objetivo. Para ele, a polêmica internacional sobre a floresta teve início após o desentendimento envolvendo o Fundo Amazônia. O governador do Pará ainda ressaltou a importância do Ministério do Meio Ambiente demonstrar que o órgão é importante. "Me parece haver sensibilidade por parte do governo federal de reestabelecer o diálogo internacional, particularmente do Fundo Amazônia ".

O governador do Amazonas, Wilson Lima, e do Amapá, Waldez Góes, também defenderam o recebimento da verba e um diálogo com Alemanha e Noruega, que suspenderam os repasses ao Fundo Amazônia na última semana. "A gente toca mais uma vez na questão do Fundo Amazônia. Nós não podemos abrir mão de recursos. Nós esperamos que haja um entendimento entre o governo federal, um bom termo, juntamente com o Fundo Amazônia, Noruega, Alemanha", disse Lima.

Reservas Indígenas - Durante a reunião, Bolsonaro deixou a série de queimadas em segundo plano e fez duras críticas a terras indígenas e questionou os governadores sobre o número de reservas em cada estado.

O presidente brasileiro ainda classificou a demarcação adotada por outros governos de "irresponsabilidade". "A Amazônia foi usada politicamente desde o [o presidente Fernando] Collor para cá. Aos que me antecederam, foi irresponsabilidade essa política adotada no passado, usando o índio ao inviabilizar esses estados", afirmou.

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Para Bolsonaro, "essa questão ambiental tem de ser conduzida com racionalidade, não com esta quase selvageria como foi feita nos outros governos", acrescentou. Ao término da reunião, o mandatário afirmou que até a próxima quinta-feira (29) concluirá um pacote de medidas, abordando as sugestões dos governadores, para a Amazônia .