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Ex-ministro da Fazenda de Lula detalha esquema de corrupção organizado pelo PT e deixa o ex-presidente petista mais distante da liberdade

IstoÉ

Palocci com Lula arrow-options
Marcelo Camargo/ABr
Antonio Palocci foi ministro da Fazenda no início do governo Lula


Nada como um dia após o outro. Integrantes do PT já comemoravam que a partir de setembro o ex-presidente Lula, condenado a 8 anos e 10 meses de cadeia por corrupção no caso do tríplex do Guarujá, teria tudo para obter o direito à progressão de pena, o que poderia colocá-lo no mínimo em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica. A divulgação das mensagens roubadas dos celulares dos procuradores de Curitiba e do ex-juiz Sergio Moro favorecia o clima em torno do petista. Mas a divulgação do teor da delação premiada feita pelo ex-ministro Antonio Palocci virou a mesa e deixou Lula novamente em maus lençóis, o que certamente pesará contra ele quando os ministros do STF forem analisar se o colocam ou não em liberdade vigiada.

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Conforme o acordo fechado por Palocci junto à Polícia Federal, já devidamente homologado pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, o PT recebeu de empreiteiras de obras públicas, de 2002 a 2014, um total de R$ 270,5 milhões para o financiamento das campanhas de Lula e Dilma Rousseff, além de outros R$ 50 milhões de instituições bancárias para bancar as campanhas presidenciais do PT, sobretudo as da ex-presidente. Palocci jogou tudo no ventilador: além de Lula e Dilma, petistas de primeira grandeza, como ex-governadores e ex-ministros, receberam propinas de empresas favorecidas durante os governos do PT. Pelo menos 16 empresários apoiaram financeiramente as campanhas presidenciais do partido com dinheiro sujo do caixa dois.

Ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma , Palocci não teve papas na língua. Disse que as propinas partiram de grandes grupos empresariais que obtiveram benefícios dos governos petistas em desonerações tributárias, linhas de crédito do BNDES, auxílio a fusões e apoio da base do PT no Congresso para medidas de seus interesses.

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Na opereta narrada por Palocci, estão até mesmo operações para barrar ações contra a corrupção de empreiteiras em Cortes Superiores, como o STJ. A Construtora Camargo Corrêa, por exemplo, pagou propina para o PT enterrar a investigação da Castelo de Areia, que a atingia. Palocci afirma que o PT trabalhou nos bastidores para anular essa operação e que a “recompensa” foi o pagamento de pelo menos R$ 50 milhões em propinas pagas pela Camargo Corrêa, tudo a título de doações eleitorais para as eleições de Dilma em 2010 e para outros políticos do partido, como Gleisi Hoffmann, hoje presidente do PT.

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Sede ao pote

A presidente nacional do PT também ganhou outros mimos das empreiteiras, conforme a delação de Palocci. Em 2010, Gleisi recebeu R$ 3,8 milhões em propinas (R$ 2 milhões da Odebrecht, R$ 800 mil da OAS, e R$ 1 milhão da Camargo Corrêa). Tudo com recursos do famigerado caixa dois. A delação de Palocci tem 23 anexos, que apontam valores destinados a doze políticos, entre os quais estão ex-ministros de Estado, parlamentares e ex-parlamentares. Além de Gleisi, também o ex-senador Lindbergh Farias (PT-RJ) foi com sede ao pote: recebeu R$ 3,2 milhões da Odebrecht para a sua campanha ao Senado. Já para a campanha do ex-governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, a Camargo Correa doou R$ 2 milhões. Tião Viana, ex-senador do Acre, embolsou outros R$ 2 milhões do departamento de propinas da Odebrecht.

Entre os anexos está um que revela que o filho do ex-presidente, Luiz Cláudio Lula da Silva, também se lambuzou: recebeu propinas por meio de sua empresa Touchdown, confirmando as investigações no âmbito da Operação Greenfield. Essa ação ainda não foi julgada pela Justiça Federal do DF, mas envolve também o próprio ex-presidente, que já virou réu nesse caso por corrupção. As revelações deixam Lula insone: elas poderão esticar ainda mais sua temporada na cadeia em Curitiba.

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