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Questionado sobre possível mudança no nome escolhido, presidente lembrou que tem poder de veto: "quem manda no meu governo sou eu"

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Marcos Corrêa/PR
"Sou eu que mando", disse o presidente ao comentar a mudança na superintendência da PF

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que é ele quem "manda" no seu governo, ao comentar a mudança na superintendência da Polícia Federal (PF) do Rio de Janeiro. Na quinta-feira (15), Bolsonaro havia dito que iria substituir o superintendente, Ricardo Saadi, por questões de "gestão e produtividade". Depois, a direção da PF divulgou uma nota dizendo que a substituição já estava prevista e nada tem a ver com o desempenho profissional dele.

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No texto, a direção da PF afirma que o superintendente em Pernambuco, Carlos Henrique Oliveira Sousa, ocupará a vaga de Saadi. Nesta sexta, contudo, Bolsonaro disse que o que estava combinado é o que o substituto viria de Manaus, e que se "ele" mudou de ideia", teria que avisá-lo. O presidente não deixou claro a quem estava se referindo. O superintendente da PF no Amazonas é Alexandre Silva Saraiva.

"O que eu fiquei sabendo, se ele resolveu mudar, vai ter que falar comigo. Quem manda sou eu. Deixar bem claro. Eu dou liberdade para os ministros todos, mas quem manda sou eu. Pelo que está pré-acertado, seria o lá de Manaus", afirmou Bolsonaro, na saída do Palácio da Alvorada.

Questionado sobre se a decisão da mudança teria partido dele ou da PF , Bolsonaro disse que a pergunta teria que ser direcionada ao ministro da Justiça, Sergio Moro , a quem o órgão está subordinado. Ele também disse que tem poder de veto e que não pode ser um "presidente banana".

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"Pergunta para o Moro. Já estava há três, quatro meses para sair o cara de lá. Está há três, quatro meses. O que acontece, quando vão nomear alguém, falam comigo. Ué? Eu tenho poder de veto. Ou vou ser um presidente banana agora? Cada um faz o que entende e tudo bem?", disparou o presidente.

Bolsonaro disse que há uma tentativa de indispô-lo com a Polícia Federal , mas afirmou que isso não irá acontecer: "Querem me indispor com a PF? Não vão me indispor para a PF".

Bolsonaro ainda ressaltou que, ao falar em produtividade na véspera, quis dizer que Ricardo Saadi poderá aumentar a produtividade na nova função. De acordo com a PF, ele pediu para ser transferido para Brasília.

"Vai produzir mais aqui. Eu não falei 'falta de produtividade'. É muito simples. 'Se separou por amor', tem dupla interpretação. 'Em um ato impensado, mata o filho o pai amado'. Quem matou quem? É a língua portuguesa".

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O presidente disse que gostaria de estar no lugar de Saadi: "Produtividade? Vocês estão sabendo para onde ele está indo? Eu queria estar no lugar dele. Ele vai ter maior produtividade para onde for", afirmou.

Bolsonaro ainda acrescentou: "ele está indo...É a mesma coisa (que) você mudar de uma cidade do interior para uma cidade na beira da praia. O motivo...Não interessa o motivo. Ele vai produzir melhor em outro lugar, cansou da região, está manjado da região. Às vezes para proteger a própria vida do elemento. E outra coisa, se mudar, a gente não tem que dar satisfação. Se eu assumir a Presidência, tenho que manter tudo, ministros, secretarias?".