Tamanho do texto

Texto aprovado na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara pode impedir a indicação de Eduardo Bolsonaro para o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos

Trump com Eduardo Bolsonaro e Jair Bolsonaro arrow-options
Reprodução/Instagram/Bolsonarosp
Texto aprovado em comissão da Câmara pode impedir indicação de parentes para embaixadas


A ideia de Bolsonaro de indicar o filho Eduardo como embaixador do Brasil nos Estados Unidos ganhou um inimigo na Câmara nesta quarta-feira (14). A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou, em rápida votação, proposta do deputado Roberto de Lucena (PODE-SP) que proíbe o nepotismo na administração pública federal.

Leia também: Defesa de Eduardo Bolsonaro diz que Judiciário não pode interferir em nomeação

O texto trata a prática como ato de improbidade administrativa e fixa pena de detenção de três meses a um ano para quem descumprir a regra. O Projeto, porém, recebeu uma emenda do relator Kim Kataguiri (DEM-SP), que transforma em nepotismo a nomeação de parente de autoridade para os cargos de ministro de Estado e também para embaixadas .

O projeto será analisado agora pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois seguirá para o Plenário.

Leia também: À espera da indicação de Eduardo Bolsonaro, Senado aprova três embaixadores

Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que o filho Eduardo Bolsonaro será indicado para comandar a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos. O cargo de embaixador não precisa ser ocupado por um diplomata.

O nome do deputado deverá ser analisado pelo Senado. Eduardo Bolsonaro preside atualmente a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara.

No parecer, Kataguiri afirma que o nepotismo é uma “injustiça patente que demonstra profundo desprezo pela coisa pública e, por consequência, desrespeito ao pagador de impostos”. Ele lembrou que, em 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou uma súmula vinculante proibindo autoridades de nomearem cônjuge ou parente até terceiro grau para cargos públicos.

Leia também: MP defende adoção de critérios técnicos em indicações para embaixador

O texto, porém, deixou de fora as nomeações para cargos políticos, como os de ministro ou secretário estadual.

Para o deputado, o assunto precisa ser tratado de vez em lei, de forma abrangente, e não apenas por decisões do Judiciário.

“É uma vergonha que o Parlamento ainda não tenha tratado do nepotismo em nível federal e que isso tenha sido tratado pelo Supremo Tribunal Federal”, disse Kataguiri.

Kim ainda destacou que a vitória não é apenas do Parlamento, mas do Brasil, que não aceita privilégios a parentes de políticos.

"A aprovação de hoje é uma vitória do Brasil. Uma derrota do patrimonialismo. Espero que a CCJ dê o próximo passo", afirmou.

Proibição mais ampla

O texto aprovado altera o capítulo que trata das proibições aos servidores públicos, previstos no Regime Jurídico Único (Lei 8.112/90). Hoje a lei apenas proíbe o servidor de manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau.

Entre outros casos, o projeto considera nepotismo a nomeação para cargo ou a contratação temporária de cônjuge, companheiro ou parente até o terceiro grau da autoridade nomeante ou de servidor da mesma unidade investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento.

Os casos de nepotismo cruzado, em que uma unidade contrata o parente de alguém de outra e vice-versa, também são abrangidos pelo projeto.

Conforme o texto, fica proibida ainda a contratação de empresa que tenha como sócio cônjuge, companheiro ou parente até o terceiro grau da autoridade contratante ou de servidor da mesma unidade administrativa investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento.