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Para o presidente, a Petrobras não precisa 'dar dinheiro' para quem 'recebe recursos milionários e não é auditado', se referindo a Felipe Santa Cruz

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Carolina Antunes/PR - 6.8.19
"Nem era para ter", diz Bolsonaro sobre contrato com presidente da OAB

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) comentou nesta quarta-feira (7) a decisão da Petrobras de cancelar, na terça, o contrato que tinha com o escritório de advocacia do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz . Bolsonaro disse que "nem era para ter esse contrato", mas não respondeu se partiu dele a ordem para o cancelamento do vínculo entre a estatal e o escritório.

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"Eu havia falado já, nem era para ter esse contrato. Não é porque era ele. A Petrobras não precisa disso, dar dinheiro para um cara da OAB que recebe recursos milionários e não é auditado por ninguém", declarou Bolsonaro , na saída do Palácio da Alvorada, ao ser questionado se foi ele que pediu que a empresa cancelasse o contrato.

Quando um repórter repetiu a pergunta, o presidente disse que poderia falar e que não tem "que esconder nada não". "Qualquer contrato de qualquer empresa tem que ser visto e revisado. E esse contrato é antigo, é de alguns anos. Não precisa disso", disse o presidente.

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O comunicado sobre o cancelamento foi feito por carta. A assessoria de Santa Cruz não informou o motivo da rescisão do contrato, nem o valor. O escritório atuava em causas trabalhistas da estatal. Santa Cruz avalia entrar com uma ação de reparação de danos contra a Petrobras. A estatal não quis comentar o caso.

Na semana passada, ao reclamar sobre a participação da OAB na investigação do ataque a faca sofrido durante a campanha eleitoral no ano passado, Bolsonaro disse que poderia contar a Felipe Santa Cruz como o pai dele, Fernando, desapareceu durante a ditadura militar.

O presidente afirmou, em um segundo momento, que o militante teria sido morto por colegas da organização revolucionária da qual fazia parte, versão que não condiz com documentos da época e nem com o resultado da investigação da Comissão Nacional da Verdade . Ao declarar o episódio como encerrado, Bolsonaro também disse que não houve quebra de decoro nas próprias falas.

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Depois da declaração de Bolsonaro , o presidente da Ordem foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir esclarecimentos a ele, que tem duas semanas para explicar sua afirmação, se quiser.