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Segundo o jornal Folha de S. Paulo, Moro questionou as provas apresentadas por Palocci antes da divulgação de trechos da colaboração premiada

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Pablo Valadares/Câmara dos Deputados - 2.7.19
PT quer investigação contra Sergio Moro


O PT pediu nesta segunda-feira (29) à Procuradoria da República no Distrito Federal a abertura de uma investigação sobre a atuação do ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, durante o período eleitoral do ano passado. A legenda acusa o ministro e ex-juiz de prevaricação e abuso de autoridade. Além disso, o partido decidiu fazer uma representação ao Ministério Público Eleitoral para que o órgão tome providências em relação às atitudes tomadas pelo ministro durante as eleições. O foco dos pedidos é a publicidade da delação do ex-ministro Antonio Palocci, determinada por Moro em outubro de 2018.

As ações são baseados em reportagem da Folha de S. Paulo publicada nesta segunda-feira. Segundo o jornal, Moro questionou as provas apresentadas por Palocci antes da divulgação de trechos da colaboração premiada. Para a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, Moro atuou para eleger um "bandido", referindo-se a Jair Bolsonaro.

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"Isso ajudou a eleger um homem que é louco. Um louco com método, o que é pior, porque ele sabe o que quer atingir: a destruição do Brasil. Então, o Bolsonaro, hoje, com todas as suas intervenções políticas e suas intervenções no processo de gestão, está levando o país a uma crise sem precedentes. E Sergio Moro é diretamente responsável por isso", disse Gleisi.  

As conversas publicadas pelo jornal sugerem que, apesar de Moro achar fracas as provas demonstradas por Palocci , o ex-juiz via sua colaboração como relevante por representar uma quebra dos vínculos que uniam os petistas.

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Na semana passada, o PT já havia apresentado uma notícia-crime pedindo o afastamento de Moro do cargo por sua atuação na Operação Spoofing. Ao anunciar a nova frente judicial, a presidente do PT comentou ainda as declarações de Bolsonaro sobre o pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, que desapareceu durante a Ditadura Militar. O presidente disse que contaria a Felipe Santa Cruz como seu pai desapareceu, se ele quisesse.

"As declarações de hoje são declarações de um cúmplice, de quem participou de um crime. Cada vez mais (Bolsonaro) vai se tornando um bandido à frente da Presidência da República. Um autoritário, despreparado, e com isso está fazendo com que o Brasil pague um preço muito alto. Então, tanto Bolsonaro como Sergio Moro merecerem dar explicações ao nosso país. Interferiram no processo eleitoral e estão escondendo crimes", disse Gleisi.

A presidente do PT disse ainda que o partido estuda medidas que podem ser tomadas no Congresso Nacional contra o Moro . Ela citou um pedido de criação de CPI do PDT sobre as mensagens reveladas pelo "Intercept Brasil" e novas convocações de Moro.