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Presidente destacou que é preciso colocar alguém 'afinado ideologicamente' em Washington e que Brasil está 50 anos atrasado em relação aos EUA

Presidente Jair Bolsonaro arrow-options
Marcos Corrêa/PR - 24.7.19
Bolsonaro exalta ex-presidente da ditadura e diz que foi eleito 'à luz da Constituição'

O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a indicação de seu filho, o deputado  Eduardo Bolsonaro, para embaixador nos Estados Unidos. Ele afirmou que se trata de um cargo de natureza política. Assim, não se aplica a regra que proíbe o nepotismo.

Bolsonaro também disse que é preciso colocar alguém "afinado ideologicamente" na embaixada em Washington e que sempre gostou do presidente do Estados Unidos, Donald Trump. Por fim, afirmou que o Brasil está 50 anos atrás dos EUA, numa referência à chegada do homem à Lua, e que pretende seguir os passos dos países que são melhores do que o Brasil.

“Vamos botar alguém nos Estados Unidos que realmente esteja afinado ideologicamente com o Brasil. Tem gente de esquerda lá. A ideia é essa. Se o Senado aprovar, nós vamos ter embaixador de verdade nos Estados Unidos. Sem querer desprestigiar bons nomes que tem aí. Mas você pode ver: quando entrou Aloysio Nunes Ferreira para ser ministro das Relações Exteriores (no governo do ex-presidente Michel Temer), ninguém falou nada. Qual a formação dele nessa área? Zero. E outra: a indicação dele está mais do que clara, esses cargos podem ser indicação política. Não é nepotismo . Eu não ia cometer um crime”, afirmou Bolsonaro.

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O presidente acredita que os laços comerciais com os EUA podem ser aprofundados com a presença de Eduardo em Washington e usou o país como modelo:

“Eu sempre gostei do Trump.  Pode criticar o Trump como bem entenderem. É uma homem que mexeu na economia. O desemprego lá é praticamente zero. Cresceu o PIB (produto interno bruto). É uma potência, não pode negar isso aí. Nós estamos aí pelo menos 50 anos atrás dos Estados Unidos. Eles lançaram um homem à Lua 50 anos atrás. Nós aqui estamos longe disso ainda. Então pretendo seguir os passos de países que são melhores do que o nosso.

O presidente disse que ainda não há previsão de quando chegará a resposta do governo dos Estados Unidos ao pedido do governo brasileiro para credenciar o filho como embaixador. Quando isso ocorrer, e a resposta for positiva, o nome de Eduardo será levado ao Senado, a quem cabe aprovar ou não a indicação. Bolsonaro também destacou que o filho se casou há pouco tempo, viajou para o exterior e "está sendo mais feliz" agora do que quando era solteiro.

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“Quando ele voltar, ele realmente engrena nesse objetivo. Eu duvido que aponte alguém num governo do PT uma só ação positiva de quem passou por lá (a embaixada em Washington). Zero”, disse Bolsonaro .

Questionado sobre o impacto da decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, determinando que a Petrobras abastecesse navios iranianos que estavam atracados no porto de Paranaguá (PR), nas relações do Brasil com os Estados Unidos, Bolsonaro apenas disse: “Eu parto do princípio que é a independência dos três poderes”, disse.

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Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, demonstrou preocupação com o risco de a estatal brasileira ser alvo de sanções dos Estados Unidos em razão da decisão de Toffoli. Para ele, essa possibilidade ainda existe. Por outro lado, destacou que a determinação do presidente do STF seria cumprida.

“O tema está na Justiça e nosso entendimento é que todas as partes envolvidas têm que seguir a determinação. Mas temos chamado atenção para o fato de que a Petrobras estaria sujeita a prejuízos em suas atividades nos EUA . Isso continua sendo o caso. Achamos que a situação permanece, mas existe o estado da lei, as companhias atuarão de acordo com a determinação da Justiça”, afirmou Araújo na quinta-feira passada.