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"Por ser capitão do Exército, sempre tomei cuidado. As informações estratégicas não eram passadas por telefone", revelou o presidente

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Alan Santos/PR - 23.7.19
"Não tem nada que comprometa", diz Bolsonaro sobre ataque hacker

Após a revelação do Ministério do Justiça de que celulares utilizados por Jair Bolsonaro também teriam sido invadidos pelos mesmos hackers que vitimaram os ministros Sergio Moro e Paulo Guedes, além de outras autoridades, o presidente minimizou o incidente, dizendo que não há "nada que comprometa" nos aparelhos.

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"Por ser capitão do Exército, sempre tomei cuidado. As informações estratégicas não eram passadas por telefone. Então, não estou nem um pouco preocupado se algo vazar do meu telefone. Não tem nada que comprometa", disse o presidente durante a participação em um evento de entrega de medalhas militares em Manaus.

"Eu achar que o meu telefone desde a campanha estava sendo monitorado alguém seria muito muita infantilidade", completou o presidente, que também foi às redes sociais para reiterar sua tranquilidade. "Por oportuno, informo que jamais tratei temas sensíveis ou de segurança nacional via celular", escreveu.

Entenda o caso

O juiz Vallisney de Souza Oliveira , da 10ª Vara Criminal do Distrito Federal, autorizou a prisão temporária dos quatro suspeitos de integrarem uma quadrilha supostamente responsável pela invasão hacker ao celular de Moro e outras autoridades na última terça-feira (23).

No dia seguinte, o casal Gustavo Henrique Elias Santos e Suelen Priscila de Oliveira foi detido em São Paulo, Walter Delgatti Neto foi preso em Araraquara e Danilo Cristiano Marques foi capturado em Ribeirão Preto. Todos são naturais de Araraquara e se conhecem.

Delgatti Neto, conhecido como " Vermelho " e dono de uma ficha criminal extensa, foi o único a admitir participação no crime.  Gustavo Henrique Elias Santos, por sua vez, negou ser um dos hackers e também apontou para "Vermelho", afirmando que viu algumas das mensagens de autoridades vazadas em posse do amigo.

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As investigações que resultaram na operação começaram após os ataques sofridos por Moro. Há pouco mais de dois meses, ele teria sido alvo de uma tentativa de invasão de suas contas no aplicativo Telegram.

Em apresentação para mostrar como se deram as investigações que chegaram ao grupo de hackers , nesta quarta-feira (24), o delegado federal da PF , João Vianey Xavier Filho, disse  
que o número de vítimas alvo do ataque é alto.

"Identificamos que cerca de mil números diferentes foram alvos desse mesmo modus operandi dessa quadrilha. Há possibilidade de um número muito grande de possíveis vítimas desse ataque que está sendo investigado agora", afirmou o delegado.

Luiz Spricigo Jr., perito criminal federal que também participou da coletiva, revelou que há um "forte indicativo" que o ministro Paulo Guedes também foi hackeado , como informado na última segunda-feira (22).

"Com um dos investigados estava uma conta vinculada ao nome do ministro Paulo Guedes . Ainda temos que confirmar, mas é um forte indicativo de que a conta seja realmente a do  
ministro", ressaltou Spricigo Jr.

Xavier Filho reiterou ainda que o intuito do grupo é praticar o chamado estelionato eletrônico, com fraudes fiscais com internet banking e cartões de crédito com o intuito de  
obter benefícios em dinheiro. "Foi localizada uma quantia razoável de dinheiro, quase R$ 100 mil em espécie, que já estão depositada em juízo", revelou.

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As autoridades também disseram que estão em contato com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para "isolar as fragilidades" e que "vão pedir reunião para compartilhar o que foi apurado" na tentativa de evitar que o golpe dos hackers seja replicado para outras vítimas.