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Segundo a PGR, tentativa de acessar o celular de Dodge ocorreu em maio, um mês antes de o Telegram do ministro Sergio Moro ter sido hackeado

Maia e Alcolumbre arrow-options
Palácio do Planalto/Divulgação
Hackers também tentaram invadir Telegram de Dodge, Maia e Alcolumbre

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge , e os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), estão entre as vítimas de tentativa de invasão de hackers aos seus celulares. 

De acordo com a assessoria de imprensa da PGR, o ataque à conta de Raquel Dodge no aplicativo de mensagens Telegram foi identificado pela própria Procuradoria em maio – um mês após integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato terem sido vítimas e  um mês antes de o ministro Sergio Moro ter sido alvo dos hackers . A PGR notificou a Polícia Federal na ocasião e, segundo o órgão, nenhum dado de Dodge foi acessado pelos invasores.

 A presidência do Senado confirmou ao iG a tentativa de invasão ao celular de Alcolumbre e informou que o democrata deve divulgar nota a respeito do assunto ainda nesta quinta. Já o ataque ao celular de Maia foi reportado pela Globonews . A reportagem do iG tentou contato com o deputado, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Ainda segundo a emissora, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) João Otávio de Noronha também foi alvo dos invasores.

"Recebi a informação de que meu aparelho de celular teria sofrido tentativa de hackeamento. Embora tranquilo, pois não tenho nada a esconder, manifesto minha indignação com a invasão de minha privacidade e não posso deixar de reafirmar minha repulsa às atividades desses criminosos virtuais, pois elas também representam uma afronta aos Poderes da República e à população brasileira", disse Alcolumbre em nota.

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Em apresentação realizada nessa quarta-feira (24), o delegado João Vianey Xavier Filho disse que já foram identificados os números de cerca de mil potenciais vítimas dos quatro hackers presos no interior de São Paulo no âmbito da Operação Spoofing . Dentre elas, estaria também o ministro da Economia, Paulo Guedes.

O Ministério da Justiça também já confirmou que o celular do próprio presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi alvo de ataques. Bolsonaro classificou o ataque como "um atentado grave contra o Brasil e suas instituições".

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A Operação Spoofing, deflagrada na terça-feira (23), teve como objeto ataques hackers aos celulares de cinco autoridades: o ministro Sergio Moro; o desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2); o juiz Flávio Lucas, da 18ª Vara Federal do Rio de Janeiro; e os delegados da Polícia Federal Rafael Fernandes (de São Paulo) e Flávio Vieitez (de Campinas).

Chefe da Polícia Federal, Moro disse nesta quinta-feira que a investigação sobre o caso levou a detecção de uma "vulnerabilidade" que foi "explorada por hackers criminosos e pessoas inescrupulosas". Segundo o ministro, "as centenas de vítimas, autoridades ou não, que tiveram a sua privacidade violada por meio de crime, serão identificadas e comunicadas pela Polícia Federal ou pelo ministério".