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Nessa quinta, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) admitiu que pode indicar o terceiro filho, Eduardo Bolsonaro, para o cargo de embaixador; decisão já foi tomada por ditadores, rei saudita e ex-presidente acusado de corrupção

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Daniel Marenco / Agência O Globo
Bolsonaro admitiu que Eduardo está "em seu radar" desde maio deste ano

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) pode repetir uma decisão tomada somente por ditadores, por um monarca e um ex-presidente acusado de corrupção caso indique seu terceiro filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), para o cargo de embaixador nos Estados Unidos .

Nessa quinta-feira (11),  Bolsonaro admitiu que o filho está “em seu radar” para ser nomeado para o cargo desde maio deste ano, porém a decisão é vista por muitos como quebra de protocolo e demonstração de nepotismo, ou seja, quando um agente público usa de sua “posição de poder para nomear, contratar ou favorecer um ou mais parentes”, de acordo com a Corregedoria-Geral da União.

O ex-ditador do Uzbequistão, Islam Karimov, que comandou o país de 1989 até 2016 - até morrer - nomeou a filha e cantora pop, Gulnara Karimova, como embaixadora do Uzbequistão na Espanha, em 2010.

No Chade, o ditador Idriss Déby, que está no poder desde 1990, tomou a mesma decisão só que em dobro. Enquanto o filho Zakaria Idriss Déby foi nomeado como embaixador nos Emirados Árabes, o genro foi para a África do Sul. 

Em 2013, o ex-presidente da Armênia Serzh Sargsyan também resolveu nomear o genro como embaixador no Vaticano. Já na Arábia Saudita, o rei Salman bin Abdulaziz Al Saud, que comanda o país desde 2015, nomeou seu filho, Khalid bin Salman, como embaixador nos Estados Unidos, em 2017, com o objetivo de ajudar na estratégia de melhora da imagem do irmão Mahammad bin Salman.

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Na ONU, ditadores como Saddam Hussein, no Iraque, e Muammar Mohammed Abu Minyar al-Gaddafi, na Líbia, também nomearam seus parentes para cargos semelhantes e, na maioria das vezes, a fim de aproveitar a aproximação da sede da organização, na Suíça, com os bancos locais.

A decisão seria, assim, inédita entre nações democráticas, que normalmente costumam indicar diplomatas com experiência para ocupar o cargo de embaixador nos Estados Unidos. Apesar da falta de costume, fontes do governo brasileiro indicam que, caso Eduardo Bolsonaro seja nomeado embaixador em Washigton, o presidente Donald Trump deve seguir o mesmo exemplo e indicar o filho Eric Trump para ser embaixador no Brasil .