Heleno rebate Carlos Bolsonaro e crítica Olavo:
Antonio Cruz/Agência Brasil - 6.11.18
Heleno rebate Carlos Bolsonaro e crítica Olavo: "Não dedico meu tempo"

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno , disse nesta quarta-feira que o filho do presidente da República Carlos Bolsonaro é "traumatizado" pelo atentado a faca sofrido pelo seu pai durante a campanha eleitoral. Em audiência realizada para tratar da apreensão de 39 quilos de cocaína com militar da Força Aérea Brasileira (FAB) que dava apoio à comitiva presidencial na Espanha, Heleno rebateu críticas de Carlos sobre as medidas de segurança adotadas pelo GSI.

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"Os comentários do Carlos, eu sei perfeitamente porque tive convívio com ele, ele é extremamente traumatizado pelo atentado que buscou modificar a situação política do Brasil, um atentado a faca que o presidente sofreu", disse Heleno .

Após mencionar a reação de Carlos Bolsonaro à prisão do sargento Manoel Silva Rodrigues, que transportava a grande quantidade de drogas, Heleno tratou ainda do comportamento imprudente de Jair Bolsonaro em eventos públicos. Nas redes sociais, Carlos disse que "há meses" gritava "em vão" sobre a segurança do GSI, mas sempre foi "ignorado".

"O que acontece muitas vezes com uma autoridade como o presidente Bolsonaro e numa campanha a presidente da República? Ele desrespeita as regras traçadas pela sua segurança. Isso é normal. E hoje o presidente faz coisas que são arriscadas", disse Heleno.

Ao responder perguntas de parlamentares, o ministro disse que o país está "acostumado a passar vergonha", mas destacou que esse foi o primeiro incidente do GSI em décadas. Heleno aproveitou para dizer que não se preocupa com Olavo de Carvalho, ideólogo de integrantes do governo.

"O senhor Olavo de Carvalho, se eu encontrar na rua, eu não sei quem é. Então, eu não vou dedicar o meu tempo a Olavo de Carvalho, meu tempo é precioso. Nunca dediquei o meu tempo a Olavo de Carvalho e vou continuar não me dedicando. Ele não atinge em nada. Eu não vou ficar gastando tempo a cada bobagem que falam", disse.

Sobre o caso específico da apreensão de drogas , o ministro afirmou que há uma investigação em sigilo e que, por enquanto, "não há indícios de participação de mais ninguém". O ministro também afirmou que ainda não se sabe a droga iria ser vendida em Sevilha, onde houve a apreensão, ou se seria desembarcada no Japão, para onde seguiria o avião de apoio à comitiva que esteve no G20.

Heleno acrescentou ainda que suas declarações após o incidente foram deturpadas. Quando disse que tratava-se de um "azar" o ocorrido, ele disse que referia-se ao fato de o caso ocorrer justo na véspera do G20, evento de grande importância para o país.

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Sobre outra declaração, a de que não tinha "bola de cristal" para prever o ocorrido, o ministro disse que a colocação foi tirada de contexto. Ele diz que a expressão foi usada porque o avião de apoio não era de responsabilidade do GSI, e sim da Aeronáutica.

Também participam da audiência os tenentes-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, representando o Ministério da Defesa, e Carlos Augusto Amaral Oliveira, representando a Aeronáutica. 

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