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Em live na web, presidente disse ter comprado cordão de metal e mostrou peças adquiridas por equipe; aquisições incluíram pingente de US$ 150

Bolsonaro
Marcos Corrêa/PR - 21.6.19
No Japão, Bolsonaro exibe bijuteria e talheres para defender extração de nióbio

De Osaka, no Japão, onde participa da cúpula de líderes do G20 , o presidente Jair Bolsonaro aproveitou sua transmissão ao vivo semanal no Facebook para exibir aos espectadores produtos feitos denióbio e comprados por sua equipe no país asiático. Desde a campanha eleitoral do ano passado, o chefe do Planalto defende um maior investimento na exploração deste metal no Brasil. Na noite desta quinta-feira, Bolsonaro mostrou uma bijuteria, um pingente e talheres cujos valores — de ao todo US$ 1.450 (R$ 5,5 mil), segundo ele — indicam ser esta uma oportunidade para a economia brasileira.

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Na transmissão, Bolsonaro lembrou ter afirmado, durante a campanha presidencial, que o Japão aplicava nióbio em bijuterias. Decidiu então mostrar no vídeo um cordão azul comprado no país como exemplo do potencial de utilidade do metal. Disse que a peça "custou caro", mostrou a nota fiscal e destacou que precisaria declarar e "pagar a diferença" na alfândega brasileira, por ultrapassar o limite para compras no exterior.

"Temos aqui um pequeno cordãozinho. Ele é azul, mas tem de várias cores, de acordo com a têmpera do nióbio. A vantagem disso, em relação ao ouro, primeiro são as cores, que variam, e ninguém tem reação alérgica a nióbio . Alguns têm a ouro. Às vezes a mãe põe um brinquinho na orelha da menina. Menina, para deixar bem claro. E tem reação. Disso aqui, não tem [reação]", argumentou o presidente, sob os olhares atentos do ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno.

Segundo Bolsonaro, cuja exibição de bijuterias rendeu piadas e memes na internet, o tal cordão azul de nióbio custa US$ 1 mil, o equivalente a R$ 3,8 mil, na cotação atual. Caso fosse de ouro, sustentou o presidente, a mesma peça valeria cerca de R$ 3 mil no Brasil.

"Bijuteria, entre as aspas, de nióbio sendo produzida e vendida no Japão ainda não está divulgada em todo o mundo, mas tem preço pouco acima caso fosse ouro. E ainda tem gente que fica me criticando quando eu falo de nióbio. As aplicações são muitas, essa aqui é apenas a bijuteria", disse. "Nióbio, só o Brasil tem. Tem em Araxá. Em Catalão, que parece que passou para as mãos dos japoneses. Foi uma das últimas ações do presidente que nos anteceu, com seu ministro de Minas e Energia. E tem na região de Seis Lagos também, na Região Norte", completou.

Na mesma transmissão, Bolsonaro ainda mostrou um garfo e uma colher banhados a nióbio que custaram, segundo ele, US$ 150 cada (na cotação atual, R$ 573). As peças, segundo ele, foram compradas no Japão por um assessor. O presidente ainda exibiu um pingente de nióbio que serviria para "colocar no telefone", também de US$ 150.

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Sem identificar o interlocutor, Bolsonaro contou que se reuniu no Japão com um produtor interessado em fechar parceria com o Brasil neste ramo.

"Conversei com quem produz. Veio para cá, para o nosso hotel. Conversamos, peguei o cartão dele. Ele quer uma parceria conosco. Ele não vende isso aqui em escala comercial, é como se fosse um hobby dele. Ele está preocupado em produzir agora um colisor linear internacional de nióbio. Não sei do que se trata, vou procurar um cientista para dizer para vocês. Tem tudo para dar certo, depende da nossa união. Nós temos o que o mundo não tem mais", destacou Bolsonaro .