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Ministro desqualificou advogado que disse ter pago propina para não ser preso e conseguir benefícios em acordos homologados pelo juízo de Curitiba

Sergio Moro no Senado
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 19.6.19
Ministro Sérgio Moro foi à CCJ do Senado explicar mensagens vazadas da Lava Jato

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, minimizou novas informações transmitidas pelo advogado hispano-brasileiro Rodrigo Tacla Duran a respeito de suposto "mecanismo de extorsão" envolvendo a Operação Lava Jato.

"Essa é uma história requentada. É uma história completamente estapafúrdia. Essa pessoa é um lavador profissional de dinheiro que está foragido do País... Saiu do país para escapar do processo. Basicamente isso. Não tenho nada em relação a essa pessoa, salvo fantasias de um criminoso querendo atacar o juízo, os investigadores", disse Sergio Moro ao ser questionado pelo senador Jean Paul Prates (PT-RN), nesta quarta-feira (19), na CCJ do Senado .

Em reportagem publicada nessa terça-feira (18) pelo portal Uol , Tacla Duran disse que pagou US$ 612 mil ao advogado Marlus Arns, ex-sócio da esposa de Moro, para não ser preso. No alegado esquema de extorsão, segundo o ex-advogado que trabalhou para a Odebrecht entre 2011 e 2016, investigados na operação pagavam propina a advogados para obter benefícios em acordos de delação premiada que eram homologados por Moro em Curitiba.

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Moro garantiu que não se envolveu com as negociações acerca dos termos de acordos de colaboração e, respondendo a pergunta de Renan Calheiros (MDB-AL), assegurou que "foi imparcial" durante sua atuação na Lava Jato . "Quem faz os acordos é o Ministério Público. O juiz não interfere, não atua nessa fase específica. Se houve conversas entre advogados e procuradores, isso é uma questão que deve ser colocada para eles", disse o ministro. 

A força-tarefa da Lava Jato também divulgou nota, ainda nessa terça-feira, rebatendo as acusações do hispano-brasileiro. "Rodrigo Tacla Duran responde no Brasil a quatro ações penais por lavagem de dinheiro multimilionária, em que diversos colaboradores, como executivos das construtoras UTC e Odebrecht, expressamente afirmam que ele foi o autor da lavagem de centenas de milhões de reais. Tais fatos já mostram por si só o total descabimento da reiterada alegação de extorsão para evitar que fosse preso. Os fatos são públicos e demonstram exatamente o contrário", disseram os procuradores.

Duran hoje vive na Espanha, onde chegou a passar pouco mais de dois meses, no fim de 2016. Apesar de Moro tê-lo considerado "foragido", a Justiça espanhola negou extradição do advogado, que está em liberdade no país europeu. No Brasil, Duran responde por acusações de lavagem de dinheiro e por distribuir US$ 95 milhões em propina da Odebrecht.

No passado, o ex-advogado da construtora já havia feito  acusações a outro ex-sócio da mulher de Moro, Carlos Zucolloto Junior – que é padrinho de casamento do ex-juiz. Segundo Tacla Duran , Zucolloto Junior o procurou para oferecer benefícios num eventual acordo junto à força-tarefa de procuradores da Lava Jato, o que passaria pelo abrandamento de sua pena em Curitiba e multa mais barata em troca do pagamento de propina.