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Página oficial do aplicativo afirma que vazamento de mensagens pode ter sido causado por vírus em celulares ou falta de proteção de usuários

Moro
Marcelo Camargo/ABr
Conversas vazadas entre Moro e procuradores ocorreram no Telegram

O aplicativo Telegram, plataforma onde ocorreram as conversas vazadas entre o ministro da Justiça Sergio Moro e procuradores da força-tarefa da Lava-Jato, negou nesta terça-feira ter sido alvo de ataque de um hacker.

Questionado por internautas através de seu perfil oficial no Twitter, o Telegram garantiu que os conteúdos trocados entre Moro e o coordenador da Lava-Jato Deltan Dallagnol não foram obtidos através de uma quebra dos códigos de segurança do aplicativo.

 Para os responsáveis pelo aplicativo, as hipóteses mais prováveis para o vazamento da conversa são a atuação de um vírus no aparelho de celular de algum dos envolvidos na conversa, ou brechas causadas por falta de cuidado dos próprios usuários.

"É mais provável que o dispositivo tenha sido tomado por um malware (vírus) enviado por terceiros - ou um código de login subtraído para uma conta que não usa senha de acesso. Nós recomendamos a adoção de uma senha de verificação em duas etapas, para casos em que alguém tenha razões para temer por suas carreiras ou pelo governo", escreveu o Telegram em resposta ao questionamento de um internauta.

As hipóteses citadas pelo Telegram também foram levantadas por pesquisadores ouvidos pelo GLOBO. Rose Marie Santini, coordenadora do Laboratório de Estudo de Redes (Netlab) da Escola de Comunicação da UFRJ, avaliou que o conteúdo das mensagens trocadas no aplicativo podem ser visualizados caso um vírus seja instalado no celular do usuário, sem que necessariamente represente um hackeamento do próprio Telegram.

"Você pode receber um link suspeito e abrir no seu celular. Ao clicar, um hacker consegue acesso ao conteúdo do telefone. É o sistema operacional do aparelho que fica carregando esse vírus", explicou.

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Em suas dicas de segurança, o Telegram sugere a adoção de uma senha para regular o acesso a conversas arquivadas. A versão padrão do aplicativo exige apenas um código, enviado via SMS para o celular do usuário, para que as mensagens sejam acessadas em um dispositivo diferente - por exemplo, um computador ou um tablet.