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Davi Alcolumbre sugeriu ainda que o presidente deveria conter seus seguidores nas redes sociais e vê falta de agenda para o Brasil; entenda

Bolsonaro e Alcolumbre
Carolina Antunes/PR
Bolsonaro e Davi Alcolumbre

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AM), não mediu palavras para criticar a articulação política - ou a falta dela -  no governo Jair Bolsonaro, que em sua opinião "não tem agenda para o país", fazendo coro ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Em entrevista ao programa Central da GloboNews  na noite dessa quarta-feira (5), Alcolumbre chamou de "trapalhada" algumas ações da coordenação da equipe do presidente e citou "desencontros" entre o governo federal e parlamentares na reforma da Previdência.

Além das críticas, o senador sugeriu que há descontrole por parte do seguidores de Bolsonaro nas redes sociais. Ele ainda afirmou que o governo extrapolou os limites dos poderes do Executivo federal no decreto das armas.

Articulação Política

Ao falar da "trapalhada" da coordenação política do governo, Alcolumbre citou, como exemplo da dificuldade da relação do governo com os parlamentares, a carta que recebeu de Bolsonaro , na qual o presidente defendia a votação pelo Senado da medida provisória 870, que reduziu de 29 para 22 o número de ministérios. 

"O governo comete, todos os dias, algum tipo de trapalhada na coordenação política, na gestão e na relação política.  É muito desencontro ao mesmo tempo, em uma mesma semana", disse. 

Alcolumbre prosseguiu com as críticas: "Imagina só o presidente da República ser obrigado a assinar um documento apelando ao presidente do Senado, com a assinatura do ministro da Casa Civil, do ministro da Justiça, do ministro da Economia, dizendo 'por favor, eu peço ao Senado que aprove para não corrermos o risco de perder a reestruturação do governo'. O governo foi obrigado a fazer isso porque o Senado Federal precisava de um sinal do governo de que ele confia na política", afirmou o senador. 

De acordo com Alcolumbre, "foi uma decisão do governo porque o clima estava muito tenso".

Agenda política

Perguntado sobre a condução da política na gestão Bolsonaro, Alcolumbre fez coro às críticas do presidente da Câmara , Rodrigo Maia, de que governo "não tem uma agenda" para o país. Diante disso, ele disse que o Congresso vai seguir uma agenda paralela."Se o governo não tem agenda, e parece que não tem, nós vamos fazer a nossa. A cobrança está sendo em cima do parlamento."

Redes Sociais

O presidente do Senado também criticou os ataques que os políticos vêm sofrendo nas redes sociais por simpatizantes de Bolsonaro. De acordo com ele, os usuários de redes sociais criminalizam a política e "agridem" a democracia.

Para Alcolumbre, o presidente da República "deveria tomar a iniciativa de tentar conter as agressões aos políticos protagonizadas no mundo virtual por seus seguidores, fazendo gestos de aproximação com o Congresso Nacional". 

"Esse modelo que o presidente implantou de não se aproximar da política não está dando certo. Ele foi eleito com esse discurso que ia mudar e ia ser diferente, mas acabou a eleição. Ele precisa se aproximar da política", afirmou. 

"A reciprocidade no tratamento é fundamental na política. A gente precisa que o governo faça gestos ao parlamento. O parlamento está fazendo gestos todos os dias", disse.

Decreto das Armas

O presidente do Senado ponderou que o decreto das armas assinado por Bolsonaro, flexibilizando o porte "extrapolou os limites dos poderes do Executivo federal". Apesar de achar coerente com o que presidente defendeu em sua campanha, o senador citou o parecer contrário da área técnica do Senado, que viu o decreto como "incostitucional"

Ele citou, durante a entrevista, a pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo GLOBO que mostrou que a maioria dos brasileiros é contra flexibilizações de posse e de porte de armas de fogo. "Agora, a pesquisa mostra que 80% das pessoas estão contra o presidente assinar o decreto para liberar o porte de armas", observou. 

Para Alcolumbre , o decreto assinado por Bolsonaro  não vai resolver os problemas da segurança pública."Em um momento de tanta fragilidade social, dar liberdade para as pessoas portarem armas não vai ser um episódio bom para o Brasil."