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Dois advogados e dois agentes da própria Polícia Federal foram presos nesta manhã após PF encontrar documentos sigilosos na casa de Andrea Neves

Andrea Neves
Reprodução/Twitter
Irmã de Aécio, Andrea Neves guardava documentos sigilosos da Polícia Federal em casa

Dois advogados e dois policiais federais foram presos na manhã desta quinta-feira (5), em Belo Horizonte, sob a suspeita de terem vazado documentos sigilosos para Andrea Neves, irmã do hoje deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG).

Batizada de Operação Escobar, a ofensiva da Polícia Federal é consequência da apreensão de documentos internos da PF na casa da irmã de Aécio durante o cumprimento de mandados na  Operação Capitu, que investigou esquema envolvendo a JBS (dos irmãos Batista), parlamentares e funcionários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em novembro.

"Feitos os levantamentos e inúmeras diligências, foi possível constatar que advogados teriam cooptado servidores desta instituição [PF], no intuito de obter, de forma ilegal, acesso a informações sigilosas ligadas a investigações em andamento nesta Superintendência", informou, em nota, a Polícia Federal em Minas Gerais.

Ainda de acordo com as investigações, esses advogados se valiam de "acesso privilegiado a informações" para oferecer a seus clientes "facilidades ilegais". "Tal atitude não só prejudica investigações como coloca em risco a segurança dos policiais envolvidos nos trabalhos", reclamou a PF.

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Foram cumpridos nesta manhã sete mandados judiciais de busca e apreensão em escritórios de advogados envolvidos, três mandados judiciais de prisão preventiva e um mandado judicial de prisão temporária. Também foram cumpridos mandados de intimação, para tomar depoimentos de outros possíveis envolvidos no esquema.

Os investigados são suspeitos de promover crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, organização criminosa, obstrução de justiça e violação de sigilo funcional, em Minas Gerais.

A Operação Capitu revelou esquema de pagamento de propina da JBS, por meio de uma rede mineira de supermercados, a funcionários do alto escalão do Mapa e a deputados para a "eliminação da concorrência e de entraves à atividade econômica, possibilitando a constituição de um monopólio de mercado".

Segundo um dos empresários investigados, o então senador Aécio Neves foi um dos que receberam dinheiro no esquema, o que teria sido efetivado com valores escondidos em caixas de sabão em pó . O tucano nega as acusações.