Tamanho do texto

Dono de rede de supermercados disse em depoimento que entregou dinheiro em quatro ocasiões a primo de Aécio Neves e a ex-assessor parlamentar; defesa diz que afirmação tem "caráter mentiroso" e empresa nega versão

Aécio Neves se tornou réu por dinheiro de Joesley Batista em abril deste ano
Geraldo Magela/Agência Senado - 5.7.17
Aécio Neves se tornou réu por dinheiro de Joesley Batista em abril deste ano

Um dos investigados na Operação Capitu, que  apura esquema de pagamento de propina da J&F (controladora da JBS) a políticos e a servidores do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) disse que repassou dinheiro escondido em caixas de pó a pessoas ligadas ao senador e deputado federal eleito por Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB).

De acordo com o empresário Waldir Rocha Pena, dono da rede de supermercados BH, ele encaminhou propina, "em nome da JBS", a Aécio Neves por meio de quatro entregas a Frederico Pacheco, primo do tucano, e a Mendherson Souza, ex-assessor do senador Zezé Perrella (PSDB-MG).

Leia também: PGR pede que inquérito contra Aécio Neves seja prorrogado no Supremo por 60 dias

As declarações foram feitas por Waldir em depoimento à Receita Federal, revelado nesta sexta-feira (16) em reportagem publicada pelo jornal O Globo . Após a matéria, no entanto, o advogado que representa o supermercado BH disse que "jamais houve pagamento de valores" ao tucano. "Não procedem as afirmativas feitas pelo sócio minoritário da empresa (sr. Waldir) e jamais houve pagamento de valores a título de propina ou a qualquer outro ao senhor Frederico Pacheco. Estes fatos serão esclarecidos oportunamente aos órgãos competentes", informou a defesa, por meio de nota.

As investigações da Operação Capitu já haviam identificado acordo entre a JBS e a rede de supermercados BH para o pagamento de propina – o que foi confirmado por Waldir. De acordo com a Receita Federal, a organização criminosa se aproveitava do grande fluxo de dinheiro em espécie no varejo para "dar ar de licitude" no repasse de valores ilícitos em dinheiro vivo e em contribuições oficiais de campanha. Waldir chegou a ser preso, mas foi  solto no início desta semana após decisão de ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

Frederico Pacheco e Mendherson Souza, citados pelo empresário no depoimento, já foram flagrados recebendo dinheiro em nome de Aécio em ocasião anterior, quando o tucano pediu dinheiro ao empresário Joesley Batista para pagar sua defesa em processos da Lava Jato. Frederico, Mendherson e Aécio se tornaram réus em ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) em abril deste ano.

Em nota, a defesa de Aécio Neves negou que ele tenha recebido propina de Waldir Rocha e classificou o depoimento como "mentiroso". "O senador desconhece o assunto. A total ausência de provas comprova o cárater mentiroso da afirmação. Todas as doações recebidas pela campanha nacional do PSDB em 2014 foram legais e estão devidamente declaradas junto à Justiça Eleitoral

    Leia tudo sobre:
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.