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'Para quê tirar o povo para uma coisa que já está dentro de casa?', disse Luciano Bivar, ponderando que os atos agendados para domingo são 'válidos'

Jair Bolsonaro
Tânia Regô/AgenciaBrasil 28.10.2018
Grupos que apoiam o presidente Jair Bolsonaro (PSL) prometem ir às ruas no domingo (26)

O presidente nacional do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), disse não ver "sentido" nas  manifestações populares agendadas para ocorrer no próximo domingo (26) em apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Ainda assim, o político acrescentou que a iniciativa é "válida" e disse que irá se reunir com os demais deputados e senadores do PSL para discutir a postura do partido em relação aos atos.

"Bolsonaro não precisa porque foi eleito democraticamente e institucionalmente. Não há crise ética, ele não cometeu nenhum crime de improbidade, não cometeu nenhum crime administrativo. Para que tirar o povo para uma coisa que já está dentro de casa? Já ganhamos as eleições, já passou isso aí", considerou Bivar ao chegar à Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (21).

"Então, eu vejo sem sentido essa manifestação. Mas toda manifestação é válida. É um soluço do povo para expressar o que ele está achando", disse o presidente do PSL .

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O deputado expressou preocupação com os rumos que as manifestações podem tomar, apontando a possibilidade de que a pauta dos protestos venham a fragilizar ainda mais a relação do governo com o Congresso.  "Pode haver algumas extrapolações. Nessas manifestações, existem pessoas infiltradas com cartazes fora do propósito que não representam a coisa", disse Luciano Bivar , conforme reportou a Folha de S.Paulo .

O inquietamento do presidente do partido de Bolsonaro recai principalmente em relação a ataques ao chamado Centrão, grupo político que agrega partidos como o MDB, o PP, o PR, o PSD e o DEM, do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ).

Esses partidos são hoje a principal chave para o sucesso ou fracasso do governo em votações de interesse no Congresso. Ao longo das últimas semanas, o saldo vem sendo negativo para o Planalto, que sofreu derrotas como  alterações indesejadas na MP que reorganiza a estrutura ministerial e a convocação do ministro da Educação , Abraham Weintraub, para prestar esclarecimentos no plenário da Câmara.

O próprio Bolsonaro pôs ainda mais lenha na fogueira das relações entre os poderes Executivo e Legislativo ao compartilhar via WhatsApp, no fim da semana passada, um texto no qual diz que o Brasil é "ingovernável" sem que haja "conchavos" com o Congresso.

É na esteira dessa crise de governança e da fragilização da imagem de Bolsonaro diante de  protestos de estudantes e das investigações que atingem seu filho mais velho , senador Flávio Bolsonaro ( PSL -RJ), que os apoiadores do presidente convocaram manifestações para o próximo domingo. Os atos são promovidos por grupos como o Vem Pra Rua, Movimento Brasil Conservador, NasRuas e Endireita Brasil, Movimento Avança Brasil.