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Presidente falou sobre o empasse para projetos de construção de usinas hidrelétricas e citou o Ministério Público e a Fundação Nacional do Índio

Jair Bolsonaro
Marcos Corrêa/PR - 15.5.19
Jair Bolsonaro criticou a atuação do Ministério Público

Em homenagem recebida na Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan) nesta segunda-feira (20), o presidente Jair Bolsonaro criticou a atuação de órgãos de fiscalização e controle no Brasil. Jair Bolsonaro citou os entraves para projetos, como a construção de usinas hidrelétricas, que envolvem atuação em áreas de reserva indígena, e mencionou especificamente o Ministério Público e a Funai (Fundação Nacional do Índio). 

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Antes do seu pronunciamento, o presidente havia recebido a Medalha do Mérito Industrial das mãos do presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira. "Tudo o MP se mete. Algumas vezes com razão, em outras não. E inviabiliza aquela obra", afirmou Bolsonaro , que depois falou especificamente do impasse para construir uma linha de energia entre Manaus (AM) e Boa Vista (RR), o Linhão do Tucuruí.

O presidente e o filho, o senador Flávio Bolsonaro, retomaram recentemente uma ofensiva contra o Ministério Público. O motivo é a investigação relativa ao Caso Queiroz, pelo qual os procuradores do órgão no Rio de Janeiro pediram em abril a quebra de sigilo de Flávio e de outras 94 pessoas ligadas a ele. "Se dizem que não fiz nada como deputado, graças a Deus. Se fizesse, estaria preso numa hora dessa", completou. 

Witzel defende Flávio

Wilson Witzel
Gabriel Monteiro / Agência O Globo
Wilson Witzel

Também presente no evento, o governador do Rio Wilson Witzel agradeceu ao presidente pelo contato com seus ministros, como Bento Albuquerque (Minas e Energia), com quem se reuniu na última semana.

Ao defender a reforma da Previdência e dizer que confia no trabalho dos deputados federais e senadores do Rio, Witzel fez um desagravo a Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, alvo de quebra de sigilo autorizado pela Justiça do Rio para investigar movimentações atípicas em suas contas e na de ex-assessores. Durante a campanha eleitoral de 2018, o filho de Bolsonaro participou de eventos públicos com Witzel.

"Flávio Bolsonaro é um senador que luta pelo estado do Rio, e que durante a campanha lutou ao meu lado para que eu chegasse até aqui. É um senador honrado, digno, um político que se doou à causa pública no Brasil", afirmou Witzel.

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, também fez um aceno ao presidente em seu pronunciamento e disse se solidarizar com o presidente nas dificuldades encontradas ao "evoluir suas práticas políticas". Na última semana, Bolsonaro divulgou por WhatsApp um texto que classificava o Brasil como "ingovernável" quando não se recorre a "conchavos políticos".

"É preciso tomar um caminho sem volta. Sou testemunha disso, também passo por momentos difíceis sempre que enfrentamos corporações, mas Brasil não admite mais que nenhum governante se agache, recue, transinja ou traia. Vamos transpor todos os momentos difíceis", declarou o prefeito.

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Bolsonaro recebeu, na sede da Firjan, a medalha do Mérito Industrial, entregue pela entidade a personalidades com contribuições à indústria no estado do Rio ou atuação de destaque no cenário econômicok e político. Após a cerimônia, Bolsonaro participa de um almoço com o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, na própria sede da entidade, no Centro do Rio. O retorno do presidente para Brasília está marcado para as 15h30m.