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De acordo com a Abraji, a atitude de Bolsonaro com a repórter deu mostras de que ele não está "cumprindo o compromisso que fez ao assumir o mandato

Jair Bolsonaro no Texas
Marcos Corrêa/PR
Jair Bolsonaro atacou jornalista da Folha nos Estados Unidos


A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou a resposta do presidente Jair Bolsonaro a jornalista Marina Dias, do jornal Folha de S. Paulo  nesta quinta-feira (16). Durante entrevista no Texas, nos Estados Unidos, onde foi para participar de um evento em que foi homenageado, Bolsonaro se irritou com uma pergunta sobre os cortes de recursos para universidades federais.

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No Twitter, o presidente exibiu um vídeo em que dizia ensimnar a jornalista a diferença entre corte e contingenciamento.

De acordo com a Abraji, a atitude de Bolsonaro com a repórter deu mostras de que ele não está "cumprindo o compromisso que fez ao assumir o mandato, de que respeitaria a democracia".

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Confira a nota da Abraji

O papel de um jornalista é perguntar. O papel de um detentor de mandato, que deve prestar contas do que faz ao público, é responder  –  de preferência, com civilidade e compostura. O presidente Jair Bolsonaro ignorou mais uma vez essas regras básicas ao atacar uma profissional e um veículo de imprensa durante uma entrevista em Dallas (EUA), nesta quinta-feira (16.mai.2019). Ao exibir o vídeo do episódio para seus milhões de seguidores nas redes sociais, o presidente amplificou o ataque e deu a ele caráter público, expondo a repórter a ofensas e ameaças de militantes virtuais governistas.

Durante entrevista coletiva, a jornalista Marina Dias perguntou a Bolsonaro se o corte de recursos para a Educação resolveria o problema, mencionado pelo presidente momentos antes, de não haver universidades brasileiras entre as 250 melhores do mundo. Bolsonaro chegou a iniciar uma resposta diferenciando corte de contingenciamento, mas irritou-se quando a repórter reafirmou que se tratava de um corte:

“Você é da Folha? (...) Primeiro, vocês da Folha de S.Paulo têm que entrar de novo em uma faculdade que presta e fazer um bom jornalismo. É isso que a Folha tem que fazer, e não contratar qualquer uma ou qualquer um para ser jornalista, para ficar semeando a discórdia e perguntando besteira por aí e publicando coisas nojentas”, disse o presidente.

Bolsonaro publicou o vídeo do ocorrido em sua conta no Twitter e em sua página no Facebook com uma legenda depreciativa: “(...) Aqui nos Estados Unidos uma repórter da Folha desconhecia a diferença entre corte e contingenciamento. Nós explicamos.”

É, no mínimo, a segunda vez neste ano que o presidente da República compromete o trabalho de uma jornalista ao atacá-la em público. Em março, ele publicou em suas redes sociais uma peça de desinformação contra uma repórter do jornal O Estado de S.Paulo. 

Ao estimular um ambiente de confronto e intimidação contra jornalista s e veículos de mídia, Bolsonaro se afasta do compromisso democrático que assumiu ao tomar posse, e fica mais próximo dos governantes autoritários, de diversos matizes ideológicos, que buscam demonizar a imprensa por ver nela um obstáculo a seus projetos de poder. 

Sempre que há restrições à liberdade de imprensa e de expressão, quem perde é a sociedade. A Abraji pede respeito ao Jornalismo.