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Na porta da casa de Temer, em São Paulo, advogado disse que 'há forte determinação de perseguir o ex-presidente' e que 'não há provas' contra ele

Michel Temer
Aloisio Mauricio/Fotoarena/Agência O Globo - 15.5.19
Michel Temer (MDB) chega em sua casa após deixar prisão

Minutos depois de deixar, no início da tarde desta quarta-feira (15), a sede do Comando de Policiamento do Choque, após seis noites na prisão, o  ex-presidente Michel Temer (MDB) disse que tem "expectativa positiva" em relação à sua situação jurídica. Já na porta de casa, Temer afirmou que esperou com "tranquilidade e serenidade" o julgamento, nesta terça-feira (14), pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

"Tem duas palavras que eu quero dar. A primeira é que vocês se lembram que eu aqui, neste mesmo local, disse que, em obediência ao TRF do Rio, eu me apresentaria à PF, e foi o que eu fiz. Em segundo lugar, eu disse que aguardaria com toda tranquilidade e serenidade a decisão do STJ, que se deu no dia de ontem", ponderou Temer , passando a palavra para seu advogado, Eduardo Carnelós.

"Temos convicção de que todas as acusações serão destruídas porque não tem nenhuma prova (contra Temer), está tudo calcado em palavras de delatores", destacou Carnelós . "Há uma diferença entre fato e opinião. Não há dúvida de que há uma evidente determinação em perseguir o presidente Temer", acrescentou.

Temer deixou o Batalhão de Choque da Políicia Militar, no centro de São Paulo, às 13h30 desta quarta-feira. A  liberdade de Temer foi determinada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por unanimidade no dia anterior. O emedebista foi escoltado por batedores até o bairro de Pinheiros, onde mora. O percurso demorou cerca de 30 minutos.

De acordo com a decisão judicial, Temer deverá entregar o passaporte à Justiça , terá bens bloqueados e não poderá manter contato com outros investigados, mudar de endereço, deixar o país ou ocupar cargos de direção partidária. O julgamento de terça-feira também soltou o coronel reformado João Baptista Lima Filho, amigo de Temer.

Carnelós não acredita que novo pedido de prisão seja expedido pela Justiça contra o ex-presidente. "Não temo isso. Não vejo razão nem risco para uma nova prisão", afirmou o advogado.

O defensor do ex-presidente explicou que a confiança nisso se dá por conta da decisão do STJ que tirou Temer da prisão.

"A partir da decisão do STJ fica estabelecido que não há fundamento para manter o ex-presidente preso. A decisão foi de uma firmeza grande e votos contundentes. Nesse sentido aguardamos que possamos apresentar nossa defesa contra as acusações e tudo será decidido obedecendo a lei e os as garantias constitucionais", salientou Carnelós.

Temer é réu em seis processos, acusado em outra investigação de comandar uma organização criminosa formada por políticos do MDB, que teria desviado dinheiro de empresas e órgãos públicos, como Petrobras, Furnas, Caixa Econômica, Ministério da Integração Nacional e Câmara dos Deputados. O ex-presidente também foi acusado de atrapalhar as investigações da Lava Jato.