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Ex-ministro era presidente nacional do PSL e autorizava o envio de verbas solicitadas pelos diretórios estaduais; Marcelo Álvaro nega participação

Gustavo Bebianno
Agência Brasil/Marcelo Camargo
Gustavo Bebianno foi exonerado em fevereiro por conta das denúncias sobre candidaturas laranjas

O ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, afirmou que a responsabilidade pelos repasses de dinheiro público a candidatas laranjas durante as eleições de 2018 era exclusivamente do diretório do PSL em Minas Gerais. Na época, o líder do partido no estado era o hoje ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. As informações são do jornal  Folha de S.Paulo .

Bebianno era presidente nacional do PSL durante as eleições e, com a vitória de Jair Bolsonaro, foi nomeado ministro. Ele foi  exonerado em fevereiro por conta das denúncias sobre o esquema de candidaturas laranjas no partido e o desgaste na relação com Carlos Bolsonaro, filho do presidente. 

Em entrevista à Folha , Bebianno afirmou que a verba foi solicitada pelo comando do partido em Minas e disse que apresentará provas às autoridades quando solicitado. "Em relação a Minas Gerais, não conheço qualquer das candidatas que formaram aquela chapa. Não sei quem são, e nunca sequer mantive qualquer contato com elas. Simplesmente desconheço. Esclareço que todos os pedidos de recursos efetuados para as mencionadas candidatas em questão foram feitos pelo próprio diretório de Minas Gerais", declarou. 

Quatro candidatas são investigadas sob suspeita de integrarem o esquema. A documentação que elas entregaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que os recursos vieram do diretório nacional do partido, comandado por Bebianno. O ex-ministro, no entanto, afirma que apenas repassou a verba solicitada pelo diretório de Minas, assim como fez para todos os outros estados.

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Bebianno diz que pediu que as candidatas preenchessem um formulário e uma planilha de cada diretório especificando quem eram os beneficiados. "Juntamente com essa planilha, os diretórios estaduais mandavam os nomes, essas fichas individualizadas, para a [executiva] nacional, dizendo: são essas as candidatas que receberão recursos, e cada uma receberá tanto", justificou. 

Em nota ao jornal, o ministro Marcelo Álvaro Antônio voltou a negar que tenha sido o responsável pelo esquema, mas confirmou que repassou recursos às candidatas. "A escolha das candidatas levou em consideração o fato de elas pertencerem ao Vale do Aço [3 das 4 candidatas suspeitas são dessa região], região historicamente dominada por partidos de esquerda. Para fazer um contraponto na disputa eleitoral, o partido decidiu investir na região", diz o texto. 

No último dia 29, a Polícia Federal e o Ministério Público cumpriram mandados de busca e apreensão em cinco gráficas que constavam na prestação de contas do partido. Os agentes, porém,  não encontraram sinais de que as empresas tenham produzido material de campanha para as candidatas.

Bebianno ainda negou responsabilidade pelo suposto esquema de laranjas em Pernambuco, que também está sendo investigado. "À [direção] nacional do partido competiram duas tarefas, apenas: montagem da chapa para presidente e vice-presidente da República e montagem de 27 diretórios estaduais. Só isso", argumentou.