Tamanho do texto

Advogado do ex-presidente afirmou que o recebimento das acusações já era esperado; emedebista se tornou réu por peculato e lavagem de dinheiro

 Michel Temer
Lula Marques/Agência PT - 22.9.16
Advogado Eduardo Carnelós, da defesa de Michel Temer, reiterou que o ex-presidente é inocente

A defesa do ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou nesta terça-feira (2) que o recebimento da denúncia contra o emedebista já era esperado. Nesta tarde, o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, aceitou duas denúncias feitas pelo Ministério Público Federal na última sexta-feira (29).

Em nota, o advogado Eduardo Carnelós, da defesa de Michel Temer , reiterou que o ex-presidente é inocente e que a tese acusatória é “completamente dissociada da realidade, usando-se, inclusive, fatos que são objeto de outros feitos.

“Ainda que tardiamente, essas e as demais acusações que se fazem ao ex-presidente terão o destino que merecem: a lata de lixo da história!”, escreveu Carnelós na nota. Em uma das denuncias aceitas hoje, Temer é acusado de peculato. Em outra, por lavagem de dinheiro.

O esquema que está no centro dessas denúncias é o mesmo que motivou, na semana passada, a prisão preventiva do ex-presidente, de Moreira Franco e de outros investigados. O emedebista passou quatro dias detido na Superintendência da Polícia Federal no Rio, e ganhou habeas corpus de liberdade na segunda-feira (25).

Na ocasião do pedido de prisão de Temer , os procuradores da Lava Jato alegaram que o emedebista era o "líder de uma organização criminosa" e que se valeu de duas décadas atuando em cargos públicos para "transformar os mais diversos braços do Estado brasileiro em uma máquina de arrecadação de propinas".

Segundo as investigações, o esquema criminoso em  Angra 3  envolvia pagamentos e desvios (efetuados e prometidos) que superam a cifra de R$ 1,8 bilhão. Temer foi acusado de ter sido beneficiário de propina de R$ 1,09 milhão paga por meio de João Baptista Lima Filho, o Coronel Lima, ex-policial militar e amigo pessoal do emedebista.

As acusações se basearam em depoimentos e documentos apresentados pelo presidente da Engevix, José Antunes Sobrinho. No pedido de prisão preventiva, os procuradores garantiram que tratam-se de "robustas provas" dos supostos crimes cometidos.

Solto na segunda-feira, Temer já é réu em outra ação por crime de corrupção passiva por conta do episódio da mala com R$ 500 mil enviada pelo empresário Joesley Batista e recebida pelo ex-assessor do emedebista Rodrigo Rocha Loures, em 2017. Nessa ação, Temer responderá na Justiça Federal de Brasília.

Também nesta terça-feira, o MPF em São Paulo protocolou denúncia  contra  Michel Temer , sua filha Maristela Temer, Coronel Lima e sua esposa Maria Rita Fratezi Lima pelo crime de lavagem de dinheiro. O caso envolve uma reforma na casa da filha do emedebista que pode ter sido financiada por dinheiro desviado das obras da usina nuclear de Angra 3.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.