Tamanho do texto

Ministro das Relações Exteriores falou, durante entrevista, que a "esquerda pega uma coisa boa, sequestra, perverte e transforma em uma coisa ruim"; agora, ele voltou a defender a posição em uma postagem em seu blog pessoal

Ministro Ernesto Araújo
Valter Campanato/Agência Brasil
O ministro Ernesto Araújo voltou a defender a posição de que nazismo foi um "movimento de esquerda"

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, voltou a defender a tese que o nazismo foi um "movimento de esquerda. O chanceler já havia emitido a opinião polêmica durante uma entrevista ao site Brasil Paralelo , na semana passada.

Leia também: Ernesto Araújo diz que nazismo e fascismo são "fenômenos de esquerda"

Após receber críticas, inclusive de especialista alemães, Ernesto Araújo não recuou e defendeu a opinião em uma postagem publicada em seu blog pessoal. No texto, entitulado "Pela aliança liberal-conservadora", o ministro ataca a "esquerda" e o "mainstream" e lista os motivos pelos quais acredita que o nazismo pode ser classificado como esquerdista.

"Eu opinei que o nazismo é de esquerda , e imediatamente a esquerda (junto com o mainstream por ela dominado sem o saber) chegou correndo com seus extintores de incêndio", debochou o chanceler.

"Livres dessa inibição, podemos facilmente notar que o nazismo tinha traços fundamentais que recomendam classificá-lo na esquerda do espectro político. O nazismo era anti-capitalista, anti-religioso, coletivista, contrário à liberdade individual, promovia a censura e o controle do pensamento pela propaganda e lavagem cerebral, era contrário às estruturas tradicionais da sociedade. Tudo isso o caracteriza como um movimento de esquerda", argumentou.

O chanceler ainda aponta o nazismo "como ponta de lança do movimento revolucionário comunista", citando o vencedor do Nobel da Economia de de 1974, Friedrich Hayek.

Como expõe logo no início do texto, o ministro termina a postagem clamando por uma aliança entre liberais e conservadores. No Brasil, hoje, tudo o que a esquerda quer é estrangular, ainda no berço, a aliança liberal-conservadora. A esquerda instiga a divisão e sonha em ver os liberais destruírem os conservadores, em nome da governabilidade ou da moderação, para em seguida poder ela própria derrotar os liberais com a habitual facilidade. Esse sonho da esquerda é o pesadelo do Brasil", conclui.

Relembre a entrevista de Ernesto Araújo que deu início a polêmica

"É muito a tendência da esquerda. Ela pega uma coisa boa, sequestra, perverte e transforma em uma coisa ruim, que eu acho que é o que sempre aconteceu com esses regimes totalitários. (...) Por isso que eu digo que fascismo e nazismo são fenômenos de esquerda", disse o ministro durante a conversa com o Brasil Paralelo .

Essa não foi a primeira fala polêmica do ministro na semana. Nesta quarta-feira (27), o chanceler afirmou que não houve um golpe militar no Brasil. 

"Não considero um golpe. Considero que foi um movimento necessário para que o País realmente não virasse uma ditadura. Não tenho a menor dúvida em relação a isso", afirmou Ernesto Araújo , na Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Câmara. 

O ministro havia sido questionado por Glauber Braga (PSOL-RJ) sobre sua opinião acerca do golpe de 1964. O deputado ainda perguntou a Araújo se o período de 1964 a 1985, em que o Brasil foi comandado por militares, não poderia ser considerado uma ditadura. O ministro não respondeu. 

Após a fala, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) insistiu e questionou "não teve ditadura no Brasil então?". No entanto, Eduardo Bolsonaro (PSL), que presidia a sessão, interrompeu o assunto e pediu para que o chanceler continuasse respondendo as outras perguntas. 

Leia também: "Choro é livre e, graças a militares, País também", diz Joice sobre golpe de 64

A discussão sobre o regime militar no Brasil começou depois que o presidente Jair Bolsonaro determinou, na segunda-feira (25), que as Forças Armadas façam "comemorações devidas" no próximo domingo (31), dia em que o golpe de 1964 completa 55 anos.

Ernesto Araújo  também afirmou que o Brasil não está se distanciando da China, principal parceiro comercial do País, e afirmou que o governo não terá "entreguismo nem com a China e nem com os EUA".