
Considerado o fiel escudeiro de Michel Temer durante o mandato do emedebista como presidente da República, o ex-ministro-chefe da Secretaria do Governo, Carlos Marun, foi autorizado a visitar o ex-presidente na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro.
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Em teoria, por não estar cadastrado como um dos advogados responsáveis pela defesa de Temer
, Marun não poderia ter conversado com o amigo. Na saída, o ex-ministro falou rapidamente com a imprensa e voltou a criticar a prisão do colega de partido.
"O presidente encontra-se, obviamente, surpreso, indignado. É um homem que tem conhecimento jurídico, conhece o direito e sabe da absoluta improcedência, irrazoabilidade e ilegalidade da decisão judicial que determinou a prisão preventiva", disse Marun. O ex-deputado também afirmou que Temer está sendo "tratado com dignidade".
Mais cedo, quando ficou sabendo da prisão, Marun já havia disparado contra a investigação. "É uma prisão desnecessária, ilegal e inexplicável. Afirmo sem medo de errar que isto foi um exibicionismo do Judiciário", disse.
Marun é considerado um dos homens de confiança de Temer. No seu último dia de mandato, o ex-presidente fez questão de exonerar o então ministro e nomeá-lo como conselheiro da Itaipu Binacional, cargo que ele manterá até maio de 2020.
Entenda a prisão de Michel Temer

Na manhã de ontem, a força-tarefa da Lava Jato do Rio de Janeiro prendeu o ex-presidente quando ele saia de sua casa . O mandado de prisão foi assinado pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
Segundo a força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, ele é o "líder de uma organização criminosa" e que se valeu de duas décadas atuando em cargos públicos para "transformar os mais diversos braços do Estado brasileiro em uma máquina de arrecadação de propinas".
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As afirmações constam do pedido de prisão preventiva do ex-presidente e de mais sete pessoas (outras duas foram alvos de prisão temporária). A prisão de Michel Temer tem relação com irregularidades em contratos para a construção da usina nuclear de Angra 3. Segundo as investigações, o esquema criminoso envolvia pagamentos (alguns desviados, outros efetuados, e mais outros prometidos) que superam R$ 1, 8 bilhão.