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Prefeitura da capital e governo do estado de São Paulo deixaram de realizar obras de construção e manutenção relacionadas a drenagem de 2016 a 2018

A capital paulista e zona metropolitana de São Paulo são frequentemente atingidas por enchentes
Reprodução/TV Globo
A capital paulista e zona metropolitana de São Paulo são frequentemente atingidas por enchentes

A cidade de São Paulo e o governo do estado previram um orçamento de R$ 5,3 bilhões para combater enchentes entre 2016 e 2018. Os governos, no entanto, gastaram apenas R$ 2,1 bilhões, o equivalente a 41%, ou seja, menos da metade do previsto.

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Com a verba de prevenção de enchentes , seriam realizadas obras relacionadas a drenagem, como a construção de piscinões e canalizações de córregos. Os gastos com manutenção dos sistemas de drenagem já existentes também foram inferiores ao previsto. Em 2018, a prefeitura gastou R$ 28 milhões a menos do que o esperado nesta área – R$ 123,5 milhões de R$ 152,1 milhões.

Entre os gastos que deixaram de ser realizados estão R$ 5 milhões que seriam usados para construir um sistema de drenagem no córrego Ribeirão Perus, na zona norte da capital. Em dezembro de 2018, um homem morreu nesta mesma região durante uma enchente.

A gestão da prefeitura de São Paulo , inicialmente comandada por João Doria (PSDB) e agora liderada por Bruno Covas (PSDB), vem cortando os gastos na prevenção de alagamentos. Nos últimos dois anos, a cidade gastou R$ 552 milhões de um total de R$ 1,4 bilhão previsto no orçamento.

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O estado, governado inicialmente por Geraldo Alckmin (PSDB) e, em seguida, por Márcio França (PSB), também cortou gastos no orçamento de drenagens. Nos quatro anos da gestão, foi gasto R$ 1,5 bilhão de R$ 3,2 bilhões previstos, o equivalente a 46%. No último ano, os dados são ainda mais alarmantes: de R$ 36 milhões previstos para a construção de piscinões, o governo do estado gastou apenas R$ 1,6 milhão.

As justificativas de Geraldo Alckmin para a falta de investimento nesta área eram a crise e as faltas de repasses. A desculpa foi mantida por João Doria. Seu secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido, afirma que a falta de investimentos nos últimos anos está relacionada à "gestão federal desastrosa" do PT.

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Na prefeitura, a justificativa é diferente. A gestão de Bruno Covas aponta que "em relação a 2018, aumentou em 21% o orçamento para as rubricas relativas a ações preventivas contra enchentes para 2019". "O número é muito superior em relação ao planejado nos últimos dois orçamentos elaborados pela gestão anterior”.