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Integrantes da administração municipal dizem que "não havia como prever" temporal de dimensão "absolutamente extraordinária": "Tem situações que você não controla", diz secretário; ao menos 11 pessoas morreram em SP

Cidade de São Paulo enfrentou caos e registrou ao menos 11 mortes devido às fortes chuvas
Reprodução/TV Globo
Cidade de São Paulo enfrentou caos e registrou ao menos 11 mortes devido às fortes chuvas

Moradores da região metropolitana de São Paulo acordaram nesta segunda-feira (11) em meio a um cenário de caos decorrente das fortes chuvas que atingiram a região ao longo do fim de semana – o que, além de alagamentos, provocou ao menos 11 mortes na cidade . De acordo com a Prefeitura de São Paulo, foram registrados, apenas na capital paulista, 160 mm de chuva, o que equivale a quase 90% do esperado para todo o mês de março e representa o maior volume no período desde 2006.

A situação da capital paulista foi agravada pelo volume ainda maior de chuvas no ABC Paulista. De acordo com o secretário municipal de Segurança Urbana, coronel José Roberto de Oliveira, a cidade de São Bernardo do Campo registrou sua pior chuva em 27 anos, o que afetou cidades vizinhas, como Santo André, São Caetano do Sul e a própria cidade de São Paulo .

Dois piscinões da capital paulista não suportaram o fluxo de água e transbordaram. O Corpo de Bombeiros recebeu ao menos 700 chamadas por conta das enchentes. Segundo a administração municipal, duas subprefeituras ainda estão “muito afetadas” devido a transbordamentos: Ipiranga e Vila Prudente. Além desses bairros, também há mais quatro em situação delicada, mas onde a água já começou a baixar: Mooca, Itaquera, Santo Amaro e Campo Limpo.

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Em entrevista coletiva concedida no fim desta manhã, José Roberto reconheceu que é possível melhorar ações preventivas na cidade, mas disse que não havia como isolar áreas como a Avenida do Estado, uma das vias expressas mais afetadas por alagamentos , devido às dificuldades em prever o volume de chuva . “A gente só sabe quando cai”, afirmou.

O secretário municipal de Subprefeituras, Alexandre Modonezi, corroborou. “O piscinão já é uma ação preventiva. Mas isso foi muito além. Têm situações que você não controla. O piscinão não foi suficiente para essa chuva”, disse. “Como prever ou antever isso? Não há possibilidade”, completou.

A Prefeitura criou um comitê de gestão de crise para restabelecer a normalidade na cidade. Segundo o prefeito em exercício, o vereador Eduardo Tuma (PSDB), 5.500 agentes do município estão nas ruas para limpar bocas de lobo e drenar a água acumulada, além de prestar atendimento às vítimas. “A nossa preocupação é, acima de tudo, com o paulistano, que sofre em virtude dessa situação absolutamente extraordinária”, afirmou Tuma, que substitui provisoriamente o prefeito Bruno Covas (PSDB), que está de licença.

De acordo com Modonezi, ainda não é sabido ao certo quantas pessoas foram atingidas e a Prefeitura está realizando o cadastro de famílias para prestar atendimento a todos.

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Enquanto isso, equipes de outros bairros se deslocaram para o Ipiranga e a Vila Prudente, regiões mais afetadas pelo temporal em São Paulo . "Foram deslocadas equipes da cidade inteira, que usam caminhões de hidrojato para sugar a água e fazer a limpeza das bocas de lobo. A preocupação é recuperar o sistema de drenagem da cidade. Nas marginais, têm 14 caminhões sugando a água", afirmou o secretário.