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Presidente da Câmara dos Deputados afirmou que "toda vez que o Judiciário legisla, dá problema" e lembrou da exigência do TSE para que 30% das candidaturas da última eleição fossem destinadas para as mulheres

Rodrigo Maia acredita que regra eleitoral que obriga que 30% das candidaturas fossem femininas facilitou a existência de candidaturas laranjas
Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Rodrigo Maia acredita que regra eleitoral que obriga que 30% das candidaturas fossem femininas facilitou a existência de candidaturas laranjas


O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), culpou o Judiciário pelo crescimento de candidaturas laranjas nas eleições de 2018. Em entrevista ao jornal O Globo , o deputado lembrou que a mudança na regra eleitoral, promovida pelo Tribunal Superior Eleitoral, facilitou os partidos a criarem candidatos sem perspectiva de votos.

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Maia lembrou que a partir de 2018, ficou obrigado que 30% do financiamento público das siglas fossem destinadas a candidatas mulheres, facilitando a criação de candidaturas laranjas . O presidente da Câmara criticou a Judiciário por legislar, função que, segundo o deputado, cabe ao legislativo.

 “Toda vez que Judiciário legisla, dá problema. Nós ampliamos a participação das mulheres no programa semestral dos partidos, que agora acabou. E a Justiça resolveu pegar essa decisão nossa e levar como interpretação de que se o número de vagas é de 30%, o financiamento é 30%. Todos nós avisamos que isso seria problema”, disse Maia ao Globo .

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Os escândalos sobre candidatas laranjas apareceram após as eleições com denúncias do jornal Folha de S. Paulo . De acordo com o Ministério Público, mulheres que receberam verba do fundo público eleitoral em Pernambuco e Minas Gerais repassaram o dinheiro para gráficas-fantasmas ligadas ao PSL .

As denúncias levaram o presidente do partido na época, Gustavo Bebianno, a perder o cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência no governo Bolsonaro.

Rodrigo Maia também acredita que os brasileiros não estão preparados para entenderem os financiamentos públicos eleitorais, bem como doações por pessoas físicas.

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“Quem tem mais prestígio vai receber mais doações. E vai ter sempre a crítica. Não de desvio, mas porque recebeu mais, porque aquele doou dinheiro”, explicou.

Além de Bebianno, outro ministro de Bolsonaro está entre os investigados de se beneficiarem de candidaturas laranjas . Marcelo Álvaro Antônio, ministro do Turismo, teria recebido, por meio de gráficas, dinheiro de candidatas com poucos votos em Minas Gerais. O Ministério Público do Estado investiga o caso.

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