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Ex-governador do Rio de Janeiro disse, em depoimento, que Luiz Fernando Pezão recebia dinheiro de propina dentro da sede do governo; veja trechos

Questionado se houve entrega dentro da sede do estado, o Palácio Guanabara, Sérgio Cabral admitiu que sim
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Questionado se houve entrega dentro da sede do estado, o Palácio Guanabara, Sérgio Cabral admitiu que sim

O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, admitiu pela primeira vez, no seu último depoimento dado ao Ministério Público Federal (MPF), que recebeu propina durante a sua gestão do estado. Disse ainda que, apesar do tempo que ficará na cadeia, está "aliviado" por ter admitido o crime às autoridades.

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"Gente, eu tô muito aliviado, sabia? E quero continuar ficando aliviado, seja o tempo que eu passar na cadeia", afirmou o ex-governador. Questionado se houve entrega dentro da sede do estado, o Palácio Guanabara, em Laranjeiras, Sérgio Cabral garantiu que sim: "Houve entregas dentro do palácio, houve várias vezes. Para o Pezão, para o Régis”

Os nomes citados por Cabral são o do governador Luiz Fernando Pezão e do ex-chefe da Casa Civil, Régis Fichtner, preso pela Operação Lava Jato. Ainda de acordo com Cabral, o esquema começou já no primeiro ano do seu governo, em 2007. ”Eu tirava os meus proveitos nos meus combinados. Eu quero x%, 2%, 3% da obra e o Régis fazia o acordo, se beneficiava também dessa caixa única aqui”, disse.

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O ex-governador do Rio falou de valores ilícitos supostamente pagos durante a reforma do Maracanã, a desapropriação do Porto do Açu e a construção da Linha 4 do Metrô.

Já condenado em nove processos da Lava Jato , com penas que somam 197 anos de prisão, Cabral deu o primeiro passo para se tornar delator da operação no final do ano passado . Apontado pela Lava Jato como chefe da organização criminosa que desviou milhões dos cofres públicos do Rio, Cabral está  preso já há mais de dois anos – atualmente, na cadeia de Bangu 8, zona oeste do Rio.

Apesar das condenações impostas pelos juízes Marcelo Bretas (Rio) e Sérgio Moro (Curitiba), o ex-governador nunca havia admitido ter cometido crime de corrupção. A admissão dos crimes cometidos é um dos fundamentos para um acordo de delação premiada. Até agora, no máximo,  Sérgio Cabral  tinha reconhecido apenas ter usufruído de "sobras de campanha", o chamado caixa dois.