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Luciano Bivar disse ainda que Bolsonaro "deve muito" a Marcelo Álvaro Antônio, que vem sendo acusado de envolvimento com candidatas laranjas

Presidente do PSL, Bivar saiu em defesa do ministro do Turismo; para ele, seu destino não será o mesmo de Bebianno
REPRODUÇÃO/AGÊNCIA BRASIL
Presidente do PSL, Bivar saiu em defesa do ministro do Turismo; para ele, seu destino não será o mesmo de Bebianno

O presidente nacional do PSL, deputado Luciano Bivar (PSL-PE), disse nesta quarta-feira (20) que o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio é um "cara corretíssimo". A declaração se deu dias depois do então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, ser exonerado do seu cargo pelo presidente, por suposto envolvimento com candidatas laranjas.

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Álvaro Antônio também foi citado recentemente em reportagens como um dos nomes envolvidos na distribuição de dinheiro a supostas candidatas laranjas nas eleições de 2018. Bebianno acabou sendo exonerado, mas o presidente do PSL  defende que o mesmo não deva acontecer com o ministro do Turismo.  

“O ministro do Turismo é um cara corretíssimo, é um cara da maior força. O Jair deve muito, está certo, ao esforço dele, também, em conjunto com outras pessoas, com outros agentes, para a gente mudar isso tudo”, disse Bivar. “Então, o governo está muito bem estruturado com seu ministério, e ele vai tocar daqui para a frente”, acrescentou o presidente da sigla.

A declaração de Bivar vem em um momento de crise no governo Bolsonaro. Na última segunda-feira (18), o presidente exonerou Bebianno, depois que o então ministro teve atritos públicos com um dos seus filhos, o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ). Em resposta, Bebianno deu entrevistas declarando a sua insatisfação com a decisão do presidente. 

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Antes de Bolsonaro ser eleito, Bebianno era seu braço-direito. Foi o ex-ministro quem coordenou a candidatura do presidenciável do PSL, inclusive, tomando interinamente a presidência do PSL durante as eleições de 2018. Bivar reassumiu a presidência da sigla no dia seguinte à eleição de Jair Bolsonaro. 

Assim como Gustavo Bebianno , Marcelo Álvaro Antônio é citado em investigações sobre o uso de supostas candidatas laranjas nas eleições de 2018. Ex-candidata a deputada estadual pelo partido em Minas Gerais, a professora aposentada Cleuzenir Barbosa declarou ao Jornal Nacional  que assessores do ministro do Turismo pediram que ela transferisse dinheiro público de campanha para as contas de empresas terceiras.

“Era o seguinte: nós mulheres iríamos lavar o dinheiro para eles. Esse era o esquema. O dinheiro viria para mim e retornaria para eles”, disse Cleuzenir à Folha de S.Paulo . Ela ainda acusou assessores do ministro de ameaça.

"Me mudei [para o exterior] exclusivamente por causa dessa situação. Peço para as mulheres que denunciem. Não fiquem caladas, se exponham, sim. Eu vou entrar com pedido de proteção à vítima. Esse povo é perigoso. Hoje eu sei, eles são uma quadrilha de bandidos", afirma. 

Por sua vez, o Ministério do Turismo negou as acusações. “A denunciante foi chamada a prestar esclarecimentos em diversas ocasiões e nunca apresentou provas ou indícios que atestassem a veracidade das acusações”, disse o ministro do Turismo . Ainda de acordo com ele, Cleuzenir foi "aposentada por sentença judicial que reconheceu distúrbios psiquiátricos incapacitantes total e permanentes."

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Já o presidente do PSL nega que o partido tenha feito uso de candidaturas de laranjas durante o pleito do ano passado e ainda defendeu, em uma entrevista, que, se uma candidata da sigla não teve votos, é porque não soube fazer política, campo dominado pelos homens, que tem "certa vocação".