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Ex-ministro dos governos Lula e Dilma busca fechar um novo acordo de delação premiada após deixar a cadeia em novembro do ano passado

Palocci presta depoimento sobre supostos desvios dos fundos de pensão durante os governos Lula e Dilma
Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 30.12.04
Palocci presta depoimento sobre supostos desvios dos fundos de pensão durante os governos Lula e Dilma

O ex-ministro Antonio Palocci começou a prestar, na tarde desta segunda-feira (7) três depoimentos ao Ministério Público Federal (MPF) nas investigações da Operação Greenfield, da Polícia Federal (PF), que apura supostos desvios em fundos de pensão. Palocci ocupou os cargos de ministro da Fazenda no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de ministro da Casa Civil durante a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff.

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O depoimento de Palocci começou por volta das 10h, na sede do MPF, em Brasília, mas o conteúdo está sendo conduzido sob sigilo. A expectativa é que a oitiva continue na terça (8) e na quarta-feira (9).

Palocci cumpre prisão domiciliar depois de ter sido beneficiado com acordo de delação premiada na Operação Lava Jato. Com os depoimentos aos investigadores, a defesa do ex-ministro busca fechar outro acordo de delação.

Por ter participado do governo do PT , os procuradores responsáveis pelo caso esperam que Palocci possa trazer informações sobre os supostos desvios nos fundos de pensão de servidores de estatais, como a Funcef (Caixa Econômica Federal), Petros (Petrobras), Previ (Banco do Brasil) e Postalis (Correios). Segundo as investigações, as fraudes podem somar mais de R$ 8 bilhões.

Em uma das denúncias sobre o suposto esquema de corrupção que já foram apresentadas à Justiça Federal, 14 investigados se tornaram réus, incluindo o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

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De acordo com o MPF, o grupo foi responsável por um prejuízo de R$ 402 milhões ao Funcef, em valores atualizados até 2015, contribuindo para o déficit acumulado de R$ 18 bilhões registrado pelo fundo no final de 2016. Segundo a denúncia, R$ 5,9 milhões do esquema foram direcionados ao PT.

Em função dos benefícios do acordo de delação , Palocci deixou a prisão no dia 29 de novembro do ano passado, depois de passar dois anos preso, e começou a cumprir prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica.

Relembre a delação premiada de Palocci

O ex-ministro Antonio Palocci negocia um novo acordo de delação premiada
Reprodução
O ex-ministro Antonio Palocci negocia um novo acordo de delação premiada

em depoimento prestado em abril deste ano à Polícia Federal, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sabia, desde 2007, do esquema de corrupção que acontecia dentro da Petrobras.

De acordo com o ex-ministro, Lula o convocou para reunião no Palácio da Alvorada em fevereiro de 2007 e se mostrou "bastante irritado" ao dizer que teve conhecimento de que os então diretores da Petrobras Renato Duque e Paulo Roberto Costa estavam "envolvidos em diversos crimes no âmbito das suas diretorias" – conforme transcrito na delação de Antonio Palocci .

Palocci relatou ao delegado Filipe Hille Pace que Lula o questionou sobre a veracidade daquela informação, o que foi confirmado pelo então deputado federal.  Palocci, então, teria dito que o próprio Lula era responsável pela nomeação dos diretores da Petrobras e o lembrou que tanto Duque quanto Costa "estavam agindo de acordo com parâmetros que já tinham sido definidos pelo próprio Partido dos Trabalhadores e pelo Partido Progressista".

O ex-ministro da Fazenda disse acreditar que Lula agiu daquela forma porque ele queria "saber qual a dimensão dos crimes" e também avaliar se  Palocci  "aceitaria sua versão de que não sabia das práticas ilícitas cometidas". Segundo o então deputado, essa prática era comumente empregada por Lula, que teria a "clara intenção" de "testar os interlocutores sobre seu grau de conhecimento e o impacto de sua negativa".


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