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Italiano foi capturado enquanto caminhava pelas ruas de Santa Cruz de La Sierra; autoridades avaliam se ele irá para a Itália ou se virá para o Brasil

O terrorista italiano Cesare Battisti é preso enquanto caminhava tranquilamente pelas ruas da Bolívia
Reprodução/Polizia di Stato
O terrorista italiano Cesare Battisti é preso enquanto caminhava tranquilamente pelas ruas da Bolívia

O terrorista italiano Cesare Battisti, de 64 anos, foi capturado enquanto caminhava tranquilamente pelas ruas, usando uma barba falsa, na Bolívia na noite deste sábado (12), em Santa Cruz de La Sierra, uma das principais cidades do país. De acordo com as autoridades da Itália, a detenção foi possível pela parceria entre investigadores italianos e bolivianos. 

Segundo relatos, Cesare Battisti não tentou escapar. Questionado pelos policiais, respondeu em português. O italiano usava calça azul e camiseta, óculos escuros e barba falsa .

A Polizia di Stato da Itália publicou em suas redes sociais um vídeo do terrorista andando pelas ruas. " Cesare Battisti levado de volta antes da captura.
Equipes de policiais #Criminalpol #Antiterrorismo e #Digos Milano com colaboração de inteligência italiana o seguiram até a prisão pela polícia boliviana", diz o post no Twitter.


A extradição do criminoso havia sido determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 13 de dezembro do ano passado. Agora, as autoridades avaliam se a extradição para a Itália será feita diretamente da Bolívia ou se ele será enviado para o Brasil e, assim ser encaminhado para a Europa. Há uma aeronave do governo italiano com agentes da Aise, a agência de inteligência do país, aguardando orientações, em território boliviano.

Condenação de Cesare Battisti

Polícia Federal divulga possíveis disfarces do terrorista italiano Cesari Battisti, considerado foragido no Brasil
Divulgação/Polícia Federal
Polícia Federal divulga possíveis disfarces do terrorista italiano Cesari Battisti, considerado foragido no Brasil

Condenado à prisão perpétua na Itália, Battisti foi sentenciado pelo assassinato de quatro pessoas, na década de 1970, quando integrava o grupo Proletários Armados pelo Comunismo, um braço das Brigadas Vermelhas. 

As vítimas teriam sido um guarda carcerário, um agente de polícia, um militante neofascista e um joalheiro de Milão que também teve o filho baleado e ficou paraplégico. Quando ainda tinha seu paradeiro conhecido, o italiano declarou-se inocente e alvo de perseguição política em seu país. Ele fugiu da penitenciária de Frosione, perto de Roma, onde cumpria pena pela morte do jaolheiro e saiu da Itália escondido em 1981 quando pediu refugiu na França.

No ano seguinte, ele se mudou para o México, mas retornou à França em 1990 quando passou a atuar como escritor de livros policiais. Em 2005, porém, ele decidiu deixar a Europa após o Conselho de Estado da França ter autorizad a extradição dele para a Itália. É nessa ocasião que ele consegue entrar no Brasil.

Aqui, em 2007, ele acaba preso pela Polícia Federal que monitorava seus movimentos e começa a cumrpir prisão preventiva (sem prazo determinado) enquanto aguarda uma posição final sobre o pedido de extradição apresentado por Roma ao Palácio do Planalto. 

Leia também: Divisão Antiterrorismo da PF faz buscas por Battisti em São Paulo após denúncias

Em 2009, porém, o terrorista conseguiu obter o status de refugiado político através da intervenção do então ministro da Justiça do governo do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), Tarso Genro, baseado no "fundado temor de perseguição por opinião política".

A decisão causou polêmica pois contrariava a decisão do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) e foi alvo de diversos processos no Supremo Tribunal Federal (STF). Só no fim daquele mesmo ano, o STF julgou "procedente" o pedido de extradição feito pela Itália, mas deixou a palavra final para o presidente da República, como é típico em casos como esse.

No seu último dia de mandato, porém, Lula negou a solicitação do governo italiano e permitiu que o criminoso deixasse a penitenciária da Papuda, em Brasília, em junho de 2011, após ficar quatro anos na cadeia à espera de uma posição das autoridades brasileiras sobre o pedido de extradição. A decisão de Lula gerou mal-estar diplomático com a Itália, que se estendeu por todo o governo de sua sucessora, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Com o impeachment de Dilma e sua substituição pelo então vice-presidente Michel Temer (MDB), porém, a Itália retomou as conversas em torno do pedido de extradição de Battisti, mas no momento em que identificou as movimentações diplomáticas entre Brasil e Itália, a defesa do italiano se antecipou e pediu ao STF uma liminar para impedir sua entrega para as autoridades do país europeu.

Na ocasião, o relator do caso, ministro Luiz Fux concedeu a liminar pedida pela defesa, mas revogou a decisão nesta semana abrindo caminho para que ele fosse considerado foragido pela justiça brasileira depois que a Polícia Federal fez buscas nos seus endereços oficiais de Battisti, mas não foi capaz de localizá-lo .

No Brasil desde 2004, o italiano foi preso três anos depois. O governo da Itália pediu sua extradição, aceita pelo STF. Contudo, no último dia de seu mandato, em dezembro de 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que Battisti deveria ficar no Brasil, e o ato foi confirmado pela Suprema Corte.

O presidente Jair Bolsonaro, mesmo antes de empossado, defendia a extradição de Cesare Battisti . Nos últimos dias do governo Michel Temer, houve a decisão do STF. Após dias de buscas, a Polícia Federal divulgou 20 simulações sobre a possível aparência do italiano.

*Com informações da Agência Brasil

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