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Ministro é investigado por de corrupção passiva e falsidade ideológica eleitoral e foi denunciado pelo recebimento de repasses de R$ 58 milhões

Gilberto Kassab fio indicado para ocupar a Casa Civil do governador eleito, João Doria (PSDB)
Sérgio Lima/Poder 360
Gilberto Kassab fio indicado para ocupar a Casa Civil do governador eleito, João Doria (PSDB)

O ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, disse nesta sexta-feira (21) estar tranquilo em relação aos mandados de busca e apreensão executados na quarta-feira (19) pela Polícia Federal, em sua residência. O ministro é investigado pelos crimes de corrupção passiva e falsidade ideológica eleitoral e foi  denunciado por recebimento de repasses de R$ 58 milhões enquanto era prefeito de São Paulo, entre os anos de 2010 e 2016.

“O Ministério Público tem a obrigação de fazer a apuração. Estou muito tranquilo em relação à seriedade da conduta da minha empresa e, com certeza, em breve [o inquérito] será arquivado, por conta do material já enviado”, disse Gilberto Kassab , que participou da inauguração de um hospital na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

De acordo com Kassab, os R$ 300 mil encontrados na sua residência durante a operação serviam para cobrir despesas devido ao bloqueio dos seus bens. “É evidente que eu precisava fazer as minhas movimentações pessoais, a minha mobilidade, das pessoas que me acompanham. Os pagamentos são feitos em recursos porque eu estou impossibilitado, já há alguns meses, de fazer movimentação bancária”, explicou.

Kassab, indicado para ocupar a Casa Civil do governador eleito, João Doria (PSDB) , disse acreditar que o inquérito não seja um obstáculo. “Eu estou muito tranquilo em relação à seriedade das minhas ações e em relação à confiança do João Doria na nossa conduta”.

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, que autorizou as medidas cautelares contra Kassab, foi secretário de Transportes de Kassab na época em que era prefeito da capital paulista. “Ele é um ministro sério, uma pessoa honrada, que cumpre o seu papel, é importante que o Poder Judiciário funcione bem. Eu tenho respeito pelo poder judiciário, pelo Ministério Público”, disse.

O atual ministro é suspeito de ter recebido R$ 58 milhões ilegais da J&F em duas ocasiões, segundo a delação premiada de Wesley Batista e Ricardo Saud, executivos da empresa.

Em uma das ocasiões, Kassab teria recebido R$ 30 milhões por meio de mesadas de R$ 350 mil pagas pela JBF ao ex-prefeito de São Paulo entre 2010 e 2016 por meio de contratos de serviços fictícios prestados, como aluguel de caminhões, das empresas Yape Transportes e Yape Consultoria, ambas ligadas à Kassab, que, por sua vez, teriam emitido notas fiscais falsas.

Na outra ocasião, a empresa teria feito doações eleitorais no valor de R$ 28 milhões para várias campanhas políticas de candidatos do PSD, partido fundado por Kassab, entre eles um candidato a deputado federal e outro ao governo do Rio Grande do Norte, ambos eleitos naquele estado, em troca do apoio à reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2014, uma adversária política de Doria.

Em busca de documentos e outras provas que pudessem comprovar as informações dos delatores , os policiais federais cumpriram mandatos de busca e apreensão, a pedido da procuradora-geral da República (PGR), Raquel Dodge, no apartamento de Gilberto Kassab , no Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo, além de outros cinco endereços (incluindo o apartamento de Renato Kassab, irmão do ministro), em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, e outros dois em Natal, no Rio Grande do Norte.

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