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Nesta quarta-feira, durante cerca de cinco horas, o ex-presidente petista quase foi beneficiado por uma liminar assinada pelo ministro Marco Aurélio

Gleisi Hoffmann convocou uma coletiva de imprensa, ao lado de lideranças do PT, em Curitiba, devido ao vaivém do STF
Joka Madruga / PT Nacional
Gleisi Hoffmann convocou uma coletiva de imprensa, ao lado de lideranças do PT, em Curitiba, devido ao vaivém do STF

O clima era de inconformidade, na manhã desta quinta-feira (20), na vigília Lula Livre – montada em frente à sede da Polícia Federal em Curitiba, onde o ex-presidente está preso, desde o dia 7 de abril. Isso porque, nesta quarta (19), por algumas horas , os apoiadores do petista acreditaram que seria possível a soltura do ex-presidente ainda nesta semana.  

Porém, ainda na noite de ontem, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, derrubou a liminar do ministro Marco Aurélio Mello, que autorizava a soltura de presos condenados em segunda instância – o que incluía o ex-presidente Lula. A decisão de Toffoli foi amplamente criticada pela presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann .

Em coletiva com lideranças petistas, Gleisi afirmou que existe uma "neurose em manter Lula preso". Também presente no local, o deputado federal Paulo Pimenta , por sua vez, disse que, aparentemente, "a Constituição não vale para Lula". 

"Nós temos, hoje, no Brasil, duas leis. Uma lei que serve para todos e uma lei que serve para o Lula. Qualquer ministro do Supremo Tribunal Federal pode decidir o que quiser, menos com relação ao presidente Lula", afirmou Pimenta. "Isso caracteriza um estado de exceção", completou. 

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Gleisi disse que, não importa a condição, Lula deve seguir preso pelos caminhos judiciais. De acordo com ela, o caminho agora é político. “O que existe da parte deles é uma neurose em manter Lula aqui [na PF] não importa a condição. Lula é a expressão da nossa oposição”, disse. "Olha, o Lula diz uma coisa, que a saída do caso dele não é uma saída jurídica, mas é uma saída política. Tá ficando cada vez mais claro que é uma prisão política", continuou. 

“Eles não querem soltar Lula. Eles têm medo de Lula solto e por isso eles sempre dão um jeito de burlar o sistema legal para manter ele preso”, completou a deputada eleita.

Os dois ainda aproveitaram a oportunidade para criticar a postura da juíza Carolina Lebbos, que não concedeu imediatamente a soltura de Lula e solicitou, nesta quarta, que o Ministério Público Federal se manifestasse antes de uma decisão definitiva por sua parte.

“Do ponto de vista internacional o que aconteceu ontem é um vexame para nossa Justiça. Uma juíza de primeira instância não obedeceu uma determinação do Supremo”, acusou Gleisi. "Nunca antes de ontem uma juíza de primeira instância recebeu uma comunicação sobre uma decisão do STF e decidiu não cumprir, alegando que precisava ouvir o MPF. Todo mundo sabe que ela fez isso para ganhar tempo", denunciou Pimenta.

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Ambos afirmaram aos jornalistas presentes que o episódio de ontem serviu para o PT intensificar a campanha "Lula Livre" dentro e fora do Brasil. "Nós não temos medo. E não vamos abaixar a cabeça”, disse o deputado. "Vamos reforçar nossa mobilização", reafirmou Gleisi Hoffmann .

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